domingo, 6 de setembro de 2015

A Oração de um Ateu: A Coragem de Crêr





Sem qualquer razão especial, resolvi postar este texto, que há tempos estava no meu arquivo... E que deveria ser mais conhecido de todos.
Trata-se de uma simples e profunda oração de um ateu,  até então, -- um ilustre ateu --, o escritor Miguel de Unamuno (1863-1963), um dos maiores da literatura espanhola... 
Em um momento decisivo de sua existência em que sua descrença já não fazia sentido e a canseira que o ateísmo lhe causara tornava-se insuportável. 
Unamuno corajosamente, ousou exceder os limites de sua descrença e aproximar-se deste ignoto deo,
E de joelhos... Toda descrença se desfêz...



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Ouve meus rogos Tu, Deus que não existes,
e em Teu nada recolhe estas minhas queixas; Tu, que aos pobres homens nunca deixas sem consolo de engano. 

Não resistes ao nosso rogo, e nosso anelo viste, quando mais Te afastas de minha mente; mas recordo os doces conselhos somente com que minh’alma acalentou noites tão tristes.

Quão grande és, meu Deus! Tu és tão grande, que não és senão Idéia; é muito estreita a realidade por muito que se expande para abarcar-te. 
Sofro eu por tua causa, Deus não existente, pois se tu fosses realidade,
eu também existiria de verdade.