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Mostrando postagens de 2016

A mentalidade revolucionária

Antes de confluir para a política, para a cultura, para a religião, para a economia, a revolução, como toda revolta, começa no coração do homem, que se vê como deus e senhor, e por esta “augusta condição”, acredita que a natureza existe unicamente para satisfazê-lo. Esta insana pretensão que acomete qualquer individuo no alto de sua imaturidade, pode ser curada nas suas primeiras manifestações (geralmente na adolescência) com uma boa dose de realismo, se não, ela se alarga vertiginosamente, atingindo níveis colossais e indomáveis, até se converter numa grande explosão de ódio contra a ordem imodificável da natureza e seus inevitáveis percursos.
A revolução, portanto, tem um inicio tímido em alguns indivíduos soberbos que presunçosamente acreditam haver encontrado a formula mágica para todos os problemas  da humanidade. O problema se deflagra quando estes indivíduos excêntricos encontram outros que seguem a mesma perspectiva, – e tristemente, não são poucos os qu…

Reductio Ad Fascismum

Nota Preliminar:
Uma atitude constante nos debates modernos é a redução do oponente a figura de Hitler. O filosofo Leo Strauss, em 1950, chamou a esta postura de Reductio ad Hitlerum (cf. Natural Right and History, c. II) Por se conhecer bem o peso psicológico desta comparação, passou-se a abusar dela, em níveis demenciais, de modo que, a reductio ad Hitlerum tornou-se o grande argumento de quem não tem argumento. O advogado Mike Goldwin observa em seu afamado Goldwin’s Law que na modernidade, a medida que uma discussão avança, especialmente discussões políticas e religiosas, é comum, a certa altura do debate, que um dos lados – especialmente o que se ver mais desfavorecido – apelar para a reductio ad Hitlerum. Portanto, se você ainda não foi rotulado com esta infame pecha, prepare-se! Mas esta postura retórica tornou-se ainda mais insana com a introdução daquilo que ouso chamar reductio ad fascismum, quando toda oposição à pautas esquerdistas é imediatamente classificada como fascismo; …

71 anos de uma misteriosa tragédia

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Recordar o passado é comprometer-se com o futuro!
João Paulo II, 25 de fevereiro de 1981


Há 71 anos, Hiroshima e Nagasaki eram completamente varridas do mapa através de duas explosões nucleares. O episódio passou na história como o marco da rendição japonesa e o fim da II Guerra Mundial. Mas há um aspecto ignorado desta tragédia que nos deixa perplexos: Por que exatamente a região mais católica do Japão foi destruída? Que razões especiais motivaram esta escolha?
Com a explosão atômica em Hiroshima e Nagasaki, dois terços dos católicos japoneses foram dizimados. Isto, passados apenas 72 anos de liberdade religiosa instaurada no país após quase três séculos de intensa perseguição.
Em 1928, segundo o “manual da história das missões católicas” de Giuseppe Schmidlin, dos 94.096 católicos japoneses, 63.698 eram de Nagasaki. 
1. Nagasaki, a "Roma do oriente".
A história do catolicismo no Japão confunde-se com a história do catolicismo em Nagasaki. Nesta cidade, ao sudoeste do Japão, o c…

Lucto et emergo

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Os campos tranquilos da Holanda são preservados há séculos da destruição por grandes diques poçantes erguidos para conter a fúria dos mares. As pessoas que vivem na Holanda, especialmente em uma das cidades mais ameaçadas por inundações, (Nieuwekerk Aan de Ijssel), -- de um lado pela maré alta, de outro, por eventuais inundações dos rios que a cortam --, desfrutam de imperturbável e invejável tranquilidade. Mas, aquela serenidade que experimentada pelos holandeses de Nieuwekerk, é garantida pela segurança daqueles diques erguidos por grandes sacrifícios humanos, que caso venham se romper, a tragédia é incomensurável!

A ilha de Zeeland, -- onde está situada Nieuwekerk --, área de maior risco de inundações, está a sete metros abaixo do nível do mar. Algumas vezes, esta ilha, teve sua serenidade abalada com o rompimento repentino de seus diques, ceifando milhares de vidas, mas a Zeeland sempre se ergue, e enfrenta com bravura a fúria do mar, erguendo diques mais poderosos que os anteriores…

De filha primogênita da Igreja à filha errante

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“Um dia virá -- espero que não seja tão longe -- no qual a França, como Saulo no caminho de Damasco, cairá rodeada por luz celestial e escutará uma voz: Por quê me persegues? Levanta-te, limpa as tuas manchas, reaviva teus sentimentos e vai-te outra vez, como filha primogênita da Igreja, levar o meu Nome a todos os povos e a todos os reis da terra!" 
(Pio X. Alocução consistorial.  Vi ringrazio, de 29 de novembro de 1911, Acta Apostolicae Sedis, Typis Polyglottis Vaticanis, Roma, 1911, p. 657)



            Em tempos mais remotos, e mais cristãos também, a França foi chamada le Royaume de Marie (o reino de Maria), por conta de magníficas manifestações da Mãe de Deus em suas terras, dentre as quais, as mais célebres foram as Lourdes, La Salette, Rue du bac, Pontmain, Valenciennes, Tilly-sur-Seulles...
Alem destas magnificas aparições marianas, a França foi favorecida com aquela que foi chamada por alguns pontifices "a grande revelação": As aparições do Sacré Cœur de Jesus (Sag…

O que é uma Ideologia

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A ideologia é a existência em rebelião contra Deus e o homem, É a violação do primeiro e do decimo mandamento, Se quisermos empregar a linguagem da ordem judaica; é a “nossos”, “A doença do espírito” empregando a linguagem de Ésquilo e Platão.¹
Eric Voegelin




            Ideologia é mais uma das palavras que se popularizou com o uso indiscriminado até perder-se a compreensão de seu sentido.  À principio, qualquer dicionário define ideologia como o conjunto de crenças religiosas, filosóficas, jurídicas, sociais e políticas que caracterizam um grupo ou classe social. Neste sentido, se pode falar em ideologia cristã, (embora o cristianismo não seja uma ideologia, no verdadeiro sentido da palavra, como explicaremos mais adiante), ideologia burguesa, ideologia marxista, ideologia nacionalista, etc.  Mas este termo vai um pouco além desta definição dicionarial. O termo foi cunhado no contexto revolucionário francês (1789-1801) por Antoine-Louis-Claude Destutt de Tracy (1754-1836), -- ou simplesment…