terça-feira, 8 de setembro de 2015

Um Brado no Céu: A Devoção a São Miguel Arcanjo



Escultura de São Miguel inaugurada nos jardins Vaticano


Um dos primeiros feitos do pontificado do Papa Francisco foi a louvável consagração do Estado do Vaticano a São Miguel Arcanjo em 2013. Ato espiritualmente significativo; visto a devoção ao príncipe da milícia celeste muito ter se ofuscado nas últimas decadas. Na ocasião, foi inaugurada uma estátua de São Miguel nos jardins do Vaticano.

A devoção a São Miguel na história da Igreja

A devoção a São Miguel sempre ocupou um espaço especial no devocionário popular, desde os primeiros séculos do cristianismo.

Na Itália, encontra-se no Monte Gargano, o mais célebre dos santuários dedicado ao princípe da milícia celeste. 
Um santuário de pedra, escúlpido pela própria natureza na montanha, com intensa afluência de peregrinos o ano inteiro. 


Santuário Natural de Monte Gargano


Este local, foi palco de uma das mais célebres aparições da história, que se deu no século V, d. C, durante o pontificado de São Gelásio I.

Na região da Apuglia, um pastor de nome Gargano, testemunhou um acontecimento misterioso sobre o monte que leva seu mesmo nome (Gargano).

Gargano, apascetava uma manada de reses no monte, quando uma das vacas se refugiou em uma gruta de difícil acesso. Vendo a impossibilidade de recuperá-la, resolveu sacrificá-la com um tiro de arco. 

Mirou-lhe a flecha e atirou... Misteriosamente a flecha foi desviada no ar e voltou em Gargano, com a mesma força o ferindo na perna. 

O episódio foi presenciado por alguns que acompanhavam Gargano, e foi relatado ao bispo local, que ficou atônito com a história, e julgou tratar-se de um aviso do céu. Recomendou então três dias de jejum para pedir a Deus discernimento sobre o ocorrido. 

No terceiro dia do jejum prescrito, o bispo recebeu a visão de São Miguel Arcanjo que lhe pediu um santuário naquele local.

A devoção a S. Miguel se intensificou na Igreja a partir daquela manifestação, e grandes multidões acorreram ao Monte Gargano para se colocarem sob a proteção de São Miguel.
Entre os peregrinos, estavam figuras magnanimas da Igreja, como São Francisco de Assis, que segundo conta-se, se deteve a porta do santuário, sentindo-se indigno de entrar naquele lugar.
Il poverello, nutria uma devoção tão especial a São Miguel, que realizava uma quaresma em honra do grande Arcanjo. E foi em uma destas ocasiões, enquanto celebrava a quaresma a São Miguel, que um serafim lhe apareceu no Monte Alverne e lhe imprimiu na carne os sagrados estigmas.

A devoção a São Miguel Arcanjo e um século insidiado por satanás


O santuário de Monte Gargano, também foi local de peregrinação de numerosos pontífices, como Gelásio I, Agapito I, Leão IX, Urbano II, Inocêncio II, Celestino III, Urbano VI, Gregório IX, Pedro Celestino, Bento XV e João Paulo II, assinalando a proximidade do príncipe da mílicia celeste com o Papa.

A que se deve tão grande interesse dos pontífices por esta devoção e este local? Deve se ao fato de S. Miguel ser o auxiliador da Igreja Militante em seus confrontos constantes com as potências infernais.

O século XX, demarcou, com tal sutileza uma nova fase das ações de satanás no mundo. 

Satanás passou a agir por meio das ideologias... Embora os martírios ainda fossem frequentes, de modo que este século fora chamado de "século dos mártires", a grande arma de satanás foram as revoluções ideologicas.

Papa Leão XIII


O Pe. Domenico Pechenino, conta que certa ocasião, enquanto celebrava a Eucarístia, o Papa Leão XIII, teve uma visão aterradora que se referia aos tempos modernos. 

Viu, o grande pontífice, -- como confirma o cardeal Nasalli Rocca --, Satanás comparecer ante o trono de Deus e reinvidicar o século XX para perder toda a humanidade. 
Viu também, o Santo Padre, na mesma visão, o Vaticano ser assaltado por espíritos infernais. 

Aquela visão fez o Papa dirigir-se apressadamente ao seu escritório particular e retornar meia hora depois com uma oração copiada de próprio punho e entregá-la ao seu secretário pessoal, Mons. Rinaldo Angelo, para que a enviasse a todo o clero. 

Tratava-se da famosa oração à São Miguel Arcanjo que por ordem do sumo pontifice deveria ser recitada ao final de cada Missa.

Esta oração, por razões ainda não esclarecidas, perdeu seu lugar na liturgia.

A este episódio fatídico, sucederam-se tempos sombrios... 
No decorrer daquele século, -- e do atual -- se constatou em todos os cantos da terra, o avançar vertiginoso da ação infernal, inclusive através do culto público à satanás, como nunca se viu antes na história. 
A onda de crimes hediondos que tomou as cidades; a violência banalizada; as leis insanas que contemplavam a inversão da ordem natural... E o saldo estarrecedor de duas grandes guerras mundiais junto com o comunismo que fez em sua história mais de cem milhões de vitimas.

Mas a ação de satanás se intesificou especialmente dentro da própria Igreja, entre pessoas consagradas. 
No terrível processo de dessacralização que se seguiu após o Vaticano II e a desfiguração da imagem sacerdotal com escândalos hediondos e um mundanismo explícito que passou a caracterizá-los. 

Este século de estranhos acotecimentos culminou com a obscura declaração de Paulo VI no fim de seu pontificado: 

Por alguma brecha, a fumaça de satanás penetrou no templo de Deus.
(Alocução de 15 de novembro de 1972).

A este significativo testemunho de Paulo VI, junta-se a declaração de João Paulo II em Monte Gargano que nos põe de sobreaviso sobre esta batalha que se trava no silêncio das almas: 

Esta luta contra o demônio (...) é atual também hoje, porque o demônio está vivo e operante no mundo. Nesta luta, São Miguel auxilia a Igreja, (...) a desordem que se verifica na sociedade, a incoerência do homem, a ruptura interior da qual é vitima, não são apenas consequências do pecado original, mas também efeito da ação nefanda e obscura de satanás.
(Alocução 24 de maio de 1987 no Santuáro de Monte Gargano)

Tanto no pontificado de Paulo VI como no de João Paulo II, a devoção a São Miguel se eclipsou;  fora legada a um canto obscuro da Igreja. 
Os fiéis modernos quase nada sabem desta figura tão importante na caminhada da Igreja... Figura determinante na vitória contra os anjos rebeldes. 

O clero progressista na ânsia de ser aceito pelo mundo moderno, rejeita esta santa devoção que remete a um suposto obscurantismo que tanto abominam. A existencia do demonio é abertamente negada em não poucos seminários.

Se o arcanjo foi invocado tantas vezes na história, muito mais o deve ser invocado nestas horas críticas que passa a Igreja, onde o principe das trevas penetrou com seus ares maléficos em seu seio. 

Se a fumaça de satanás penetrou no templo de Deus, nada mais propício do que invocar o príncipe da milicia celeste, vencedor de satanás, para dissipá-la...

Quis ut Deus?  (Quem como Deus?) Eis o brado vencedor que dissipou a sanha infernal naquela primeira rebelião, e que tristemente encontra-se emudecido. 
Nunca esqueçamos este grito! Porque ninguém é como Deus! 

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Sancte Michael Archangele, defende nos in prœlio!