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Mostrando postagens de Janeiro, 2018

O dia em que Chesterton se apaixonou

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O primeiro dever de um homem apaixonado é portar-se como um idiota, escrevera Gilbert Keith Chesterton, um homem cuja sensatez estava acima de qualquer suspeita, mas que em determinado momento de sua existência, – como qualquer outro mortal – também sucumbiu ao estado que descreveu em sua frase: de idiota. Em uma divertidíssima carta dirigida à esposa de um amigo, Chesterton narrava os absurdos que cometia sob efeito do dardo flamejante da paixão.
Escreve ele:
Querida Mildred,

Quando levantei esta manhã, lavei cuidadosamente minhas botas com água e engraxei meu rosto. Então, vestindo o casaco com graciosa facilidade com os botões virados para as costas, eu desci para o café da manhã e alegremente coloquei café nas sardinhas e levei meu chapéu ao fogo para fritar.
Estas atividades irão dar-lhe uma ideia de como estou. A minha família, vendo-me sair de casa através da chaminé e colocar a grelha da lareira debaixo do braço, pensaram que alguma coisa preocupava meu espírito. E era verdade!

G…

Qual o ensinamento tradicional da Igreja sobre a pena de morte?

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O Novo Catecismo não aboliu o ensinamento tradicional da Igreja sobre a pena de morte. Nele se diz: “O ensino tradicional da Igreja não exclui, depois de comprovadas cabalmente a identidade e a responsabilidade do culpado, o recurso à pena de morte” (Catecismo § 2267) Porém, esta medida penal passou a ser quase desautorizada a partir do pontificado de João Paulo II até o de Francisco. Recentemente, o Papa Francisco afirmou que "a defesa da pena de morte era um ato imoral". Mas tal afirmação implica em chamar de imoral o magistério tradicional da Igreja, e a grande maioria dos santos, que em comunhão com este mesmo magistério, sempre consideraram a pena de morte uma prática legitima e justa.
Santos como S. Jeronimo, S. João Crisóstomo, Sto Agostinho, Sto Tomás de Áquino, S. Bernardo, S. Boaventura, Sto Afonso de Ligório, S. Roberto Belarmino entre outros, defenderam tenazmente esta prática; Papas a apoiaram com denodo como S. Pio V, Inocêncio I, Inocênc…

O temperamento conservador e o temperamento revolucionário

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O conservadorismo, para muitos religiosos, e até pensadores do tema como o britânico Roger Scruton (talvez um dos maiores representantes desta corrente na filosofia) é encarado como uma ideologia ou uma mera doutrina política sem nenhuma relação com a religião. No entanto, o conservadorismo é antes de tudo, um temperamento humano, que se contrapõe ao temperamento revolucionário. Num livro que estou preparando para publicar ainda este ano, O manifesto conservador, analiso estes dois temperamentos, de uma fora mais aprofundada. Por ora, deixo aqui um trecho do livro aos leitores deste blog.
Erick Ferreira




        Uma das primeiras características observadas no temperamento conservador é a indisposiçãoàutopias. Por isso, Michael Oakeshott – um dos máximos expoentes do pensamento conservador –, assim define o ser conservadorismo: “Ser conservador é preferir o familiar ao desconhecido, o fato ao mistério, o real ao possível, o limitado ao ilimitado, o próximo ao distante, o suficiente ao sup…

O erro de Malthus e o perigo em que o controle demográfico colocou o Ocidente

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No século XVIII, Thomas Malthus (1766–1834), um clérigo anglicano,anunciava uma teoria apocalíptica:  O poder de crescimento da população é indefinidamente maior do que o poder que tem a terra de produzir meios de subsistência para o homem. A população quando não controlada, crescenuma progressão geométrica, [enquanto] os meios de subsistência crescem apenas numa progressão aritmética.(An essay on the principle population [Um ensaio sobre o princípio da população], 1798) 
A tese colocou em polvorosa acadêmicos, empresários e políticos de todo o Ocidente. E uma verdadeira luta pelo controle demográfico se iniciava; enquanto Malthus era aclamado como um grande visionário, dotado de uma análise original da economia. No entanto, longe de apresentar algo original, Malthus só dava ares acadêmicos a um temor infundado que acompanhará a humanidade desde seus primeiros registros: De que o crescimento populacional levasse ao total esgotamento dos recursos naturais. Na China antiga, 500 anos antes d…