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Mostrando postagens de 2014

Venit Adoremus!

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"Deixemos para trás as baixas concupiscências da carne e vamos à Belém do alto, ou seja, a casa do pão, não fabricado, mas descido do céu"  (S. Beda, Venerável. Sermão de Natal)

"Não havia lugar para eles na estalagem"   ( Luc 2, 7)





                                    * * *                                                             
     Naquela noite, aquele santo casal, buscava abrigo para a hora mais sublime da humanidade. A encarnação do Verbo Divino. O Emanuel prometido desde tempos imemoriais. Aquele de que fala as Escrituras que "traria o principado em seus ombros"  (Is 9, 6) e "sentaria sôbre o trono de Davi" (Is 9, 7) . 
Com menções tão honrosas, quem poderia supor que este menino viria de forma tão simples? Não tinha nem lugar para nascer. 
Quem imaginaria que ao invés de um palácio real, ele nasceria numa gruta; ao invés da grandiosa Jerusalém, ele viria da pequenina Belém?
As cenas do Evangelho são cenas que se perpetuam na história. Não ha…

Sacerdote de Jesus Cristo

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Sacerdote de Jesus Cristo,
Imagina que o Senhor te fala da maneira mais tocante, como ao povo judeu: 'Dize-me que mal te fiz? Ou antes, que bem tenho deixado de te fazer? 

Tirei-te do meio do mundo,
Escolhi-te entre tantos seculares,
Para te fazer meu sacerdote,
Meu ministro, meu amigo,
E tu, por um interesse miserável, por um vil prazer,
De novo me pregaste na cruz

Pela minha parte, todas as manhãs no deserto desta vida,
Te tenho saciado com o maná celeste,
Isto é, com a minha carne divina e com o meu sangue.
E tu tens me esbofetado, flagelado por tuas palavras e ações imodestas,

Escolhi-te como um vinho que devia fazer as minhas delicias;
Por isso infundi na tua alma tantas luzes e graças, Para que produzisses frutos doces e preciosos,
E tu só me tens dado frutos amargos.

Fiz-te rei... Eleivei-te mesmo acima de tosos os reis da terra,
E tu coroaste-me de espinhos,
Com os teus maus pensamentos consentidos.
Cheguei a fazer-te meu vigário,
E entreguei-te as chaves do céu,
E fiz de ti um deus,
E tu, des…

A Batina

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"Minha batina,com que alegria e juvenil transporte eu te vesti, batina tão querida! Nessa cor preta, que relembras a morte, com voz tão clara só me dizes: vida. O teu pesado e desejado porte, à epopeia de Cristo me convida. E eu que era fraco, só me sinto forte, Era medroso e só desejo a lida. Dentro de ti, eu me sinto guardado, Tal qual fora intrépido soldado, A combater de um forte baluarte, E eu juro a Deus,  perante os céus e a terra, Pois que a batina o meu futuro encerra, Minha batina, eu juro honrar-te". (Padre Manuel Albuquerque)
* *  *  *
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"Minha pobre batina mal cerzida, tu vales mais que todos os amores, pois, embora negra, enche-me de flores, e de esperanças imortais, a vida com seus sorrisos escarnecedores, zomba o mundo de ti, de ti duvida, porque não sabe a força que na lida tu me dás,

A Doce Primavera da Fé

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Introdução


             Leão XIII definiu a Idade Média como o tempo em que a filosofia do Evangelho governava as nações. [1] E não poderia ter sido mais feliz em suas palavras. Somando a este merecido elogio, acrescento ainda uma das melhores definições já feitas a este tempo, tecida pelo célebre conde de Mont'Alembert: Doux printemps de la foi (Doce primavera da fé).           Tanto Leão XIII quanto Mont'alembert expressaram da forma mais precisa a força que animava esta época: a fé. Neste tempo, como observa Leão XIII, "a influência da sabedoria cristã e sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos e todas  as categorias e relações da sociedade civil". [2] 

       Mas, por que definições tão verdadeiras como essas soam tão estranhas ao homem moderno, acostumado a pensar a Idade Media como sinônimo de obscurantismo e atraso? Porque lhes imporam a difamante pecha de Dark Ages (Idade das Trevas)? Porque aqueles que lhes apresentaram este…

Uma pequena via... Para uma grande santidade

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Em uma esplêndida segunda-feira de outubro, um pequeno traslado conduzia o corpo de uma desconhecida carmelita vitimada aos vinte e quatro anos pela tuberculose. No cortejo iam uns poucos parentes e algumas religiosas.


Ao considerarem os nove anos transcorridos no silêncio claustral da jovem carmelita, as irmãs sentiram um grande desconcerto:“que fatos dignos de figurar na notícia fúnebre?”.
                Teresinha vivera uma santidade tão despercebida que olhos superficiais jamais conseguiriam captar a grandeza dos pequenos gestos impregnados de altíssima virtude. Diziam:“esta irmãzinha não fez nada que valha apena ser contado”. Tudo que restava de Teresinha na memória de suas companheiras de claustro era um sorriso afetuoso, e pouco mais do que isso. Mas na verdade, por trás daquele sorriso escondia-se um martírio silencioso, uma santidade exuberante vivida no dia-a-dia; em cada segundo; em cada suspiro; em cada pensamento; um coração abrasado de amor que os olhos não podiam ver.  
 …