terça-feira, 26 de julho de 2016

De filha primogênita da Igreja à filha errante


Notre-Dame de Paris, símbolo da França antiga

“Um dia virá - espero que não seja tão longe - no qual a França, como Saulo no caminho de Damasco, cairá rodeada por luz celestial e escutará uma voz: Por quê me persegues? Levanta-te, limpa as tuas manchas, reaviva teus sentimentos e vai-te outra vez, como filha primogênita da Igreja, levar o meu Nome a todos os povos e a todos os reis da terra!" 

(Pio X. Alocução consistorial. 
Vi ringrazio, de 29 de novembro de 1911, Acta Apostolicae Sedis, Typis Polyglottis Vaticanis, Roma, 1911, p. 657)




Em tempos mais remotos, e mais  cristãos também, a França foi chamada le Royaume de Marie (o reino de Maria), por conta de magníficas manifestações da Mãe de Deus em suas terras, dentre as quais, destacam-se: Lourdes, La Salette, Rue du bac, Pontmain, Valenciennes, Tilly-sur-Seulles...

Alem destas magnificas aparições marianas, a França foi favorecida com aquela que foi chamada por alguns pontifices de "a grande revelação": As aparições do Sacré Cœur de Jesus (Sagrado Coraçâo de Jesus) à Sta Margarida Maria Alacoque entre 1673 e 1675. 


Nas aparições, o Coração de Jesus pedia ardentemente a consagração da França a Ele para livrá-la de um flagelo iminente. 
Os apelos do Sagrado Coração de Jesus não foram ouvidos, e um século depois, a França era castigada com uma das maiores catástrofes que já se abateram sobre suas terras: a terrificante Revolução Francesa.

Passando-se 57 anos do terror revolucionário, a Divina Providência mais uma vez vinha alertar a França. Agora, por meio da Virgem Santíssima. 

Em La Salette, lugarejo pouco conhecido da França, humildes crianças transmitem uma mensagem aterradora vindo de Deus:
“Ao primeiro golpe de sua espada fulgurante [refere-se a Deus], as montanhas e a natureza inteira tremerão de espanto, porque as desordens e os crimes dos homens transpassarão a abóbada celeste. Paris será queimada, e Marselha engolida [pelas águas]".
Novos castigos viriam sobre a França, e mais uma vez a Divina Providência os vinha alertar.
170 anos depois dos alertas de La Salette, a França já não pode mais ser chamada, como outrora, le royaume de Marie, tornou-se indigna deste nome. Tão pouco, ainda pode ser chamada "filha primogênita da Igreja", seria até blasfêmia assim chamá-la, pois esta filha desgarrou-se miseravelmente da casa paterna; negou sua primogenitura; rasgou suas vestes batismais, tornando-se filha errante e difusora de toda espécie de erros sobre a terra... E agora, devastada, se vê entregue a seus inimigos, que em outros séculos a temiam. Hoje a saqueiam e a arruinam, livremente. Paris está em chamas! 

Mas, em meio ao caos que se alardeia em suas terras, uma luz desponta do passado, -- como praticamente tudo de bom que ainda resta nesta nação. Há mais de 100 anos, São Pio X, assim profetizava:
“Um dia virá - espero que não seja tão longe - no qual a França, como Saulo no caminho de Damasco, cairá rodeada por luz celestial e escutará uma voz: Por quê me persegues? Levanta-te, limpa as tuas manchas, reaviva teus sentimentos e vai-te outra vez, como filha primogênita da Igreja, levar o meu Nome a todos os povos e a todos os reis da terra!" 
Esperamos ansiosos o momento em que a terra dos cruzados desperte de seu longo torpor, e volte a entoar o temível Dieu le veut, incutindo o velho temor nas faces de seus inimigos.




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St Bernard prêchant la II Croisade à Vézelai en 1146, Émile Signol (1804-1892)



“O Senhor quer provar vosso zelo e saber se há entre vós quem deplore Sua desgraça e defenda Sua causa. Apressai-vos então a assinalar vossa coragem, de tomar as armas pela defesa do nome cristão, vós, cujas províncias são tão fecundas em jovens e valentes guerreiros, se é verdade o que a vossa fama diz, transformai em santo zelo este valor odioso e brutal que vos arma frequentemente um contra o outro, e vos faz perecer com as vossas próprias mãos. 
Eu vos ofereço, nação belicosa, uma ilustre ocasião de lutar sem perigo, de vencer com glória, de morrer com vantagens. Sois ávidos de glória e sois hábeis e sábios negociantes. Eis o expediente para vos dar fama e vos enriquecer: Tomai a Cruz!"

Com estas palavras, há 862 anos, São Bernardo conclamava a França para a II Cruzada em defesa da cristandade. Chamado que os francos atenderam prontamente com seu brado vibrante, Dieu le veut! (Deus o quer)

Outrora, quando a Igreja sofria graves ameaças, como as que vinham do oriente através dos muçulmanos, os primeiros a se erguerem em sua defesa eram os francos.

Reconhecidos mundo a fora por sua bravura, os francos eram um dos poucos povos na terra que conseguiam incutir temor nas faces maometanas.

A França de outrora, sinalizava, como poucas nações no mundo, a alma do ocidente. 
Nela resplandecia o brio da civilização ocidental, seja em sua cultura, como em sua espiritualidade. 
E isso já se mostrava patente há 1.500 anos, quando a França era a primeira nação a aderir oficialmente ao catolicismo. Adesão que lhe rendeu dos sumos pontífices a insígne distinção de "filha primogénita da Igreja".
Hoje o espírito cruzado está extinto, a França de S. Bernardo, Luis IX, Joana d'Arc, Urbano II deu lugar a França da sodomia e da covardia. Desde a Revolução Francesa, constantes movimentos nasceram para extirpar às raízes católicas da Franca. E hoje, a França despojada de suas raízes, tornou-se vulnerável a todas as incursões, bárbaras.

O Dieu le veut dos cruzados cessou, dando lugar ao terrível brado maometano: 'Alahu Akbar'.