quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O anticristo na descrição do venerável Fulton Sheen




Venerável Fulton J. Sheen (1895 –  1979), bispo de Rochester entre 1966 e 1969



 Por Fulton J. Sheen I Tradução e Notas: Erick Ferreira


“Estamos vivendo nos dias do Apocalipse – os últimos dias de nossa era... As duas grandes forças do Corpo Místico de Cristo e do Corpo Místico do Anticristo estão começando a traçar as linhas da batalha para uma disputa catastrófica. 

O Falso Profeta terá uma religião sem cruz. Uma religião sem um mundo por vir. Uma religião para destruir as religiões. Haverá uma igreja falsificada. A Igreja de Cristo será uma só, mas o Falso Profeta criará a outra. A falsa igreja será mundana, ecumênica e global. Será uma federação dispersa de igrejas e religiões formando algum tipo de associação global, – o parlamento mundial de igrejas. Será esvaziado de todo conteúdo divino e será o corpo místico do Anticristo.

O corpo místico na Terra hoje terá seu Judas Iscariotes e ele será o falso profeta. Satanás o recrutará entre os nossos bispos. 

O Anticristo não será assim chamado; caso contrário, ele não teria seguidores. Ele não usará calças vermelhas, nem vomitará enxofre, nem carregará um tridente, nem exibirá uma cauda como Mefistófeles em Fausto [1]. Essas máscaras ajudaram o Diabo a convencer os homens de que ele não existe. Quando nenhum homem o reconhecer, mais poder ele exercerá. Deus se definiu como “Eu sou quem sou”, e o Diabo como “Eu sou quem não sou”.

Em nenhum lugar das Sagradas Escrituras encontramos justificado aquele mito popular que retrata o Diabo como um bufão que está vestido de “vermelho”; pelo contrário, ele é descrito como um anjo caído do céu, como “o príncipe deste mundo”, cujo negócio é dizer-nos que não existe outro mundo. Sua lógica é simples: se não há céu, não há inferno; se não há inferno, então não há pecado; se não há pecado, então não há juiz, e se não há juízo, então o mal é bom e o bem é o mal. Mas acima de todas essas descrições, Nosso Senhor nos diz que ele será muito semelhante a Si mesmo, e que ele irá enganar até mesmo os eleitos – e certamente nenhum diabo jamais visto em livros ilustrados poderia enganar até mesmo os eleitos. Como ele virá nesta nova era para conquistar seguidores de sua religião?
A crença russa pré-comunista é que ele virá disfarçado como um grande humanista; [2] ele falará em paz, prosperidade e abundância não como meio de nos conduzir a Deus, mas como fim em si mesmos…
Na terceira tentação em que Satanás pediu a Cristo para adorá-lo e todos os reinos do mundo seriam d’Ele, se tornará a tentação de ter uma nova religião sem cruz; uma liturgia sem um mundo por vir; uma religião para destruir uma religião; ou uma política que é uma religião – que dá a César até as coisas que são de Deus.

No meio de todo seu aparente amor pela humanidade e de sua eloquente fala de liberdade e igualdade, ele terá um grande segredo que não dirá a ninguém: ele não acredita em Deus. Porque sua religião será fraternidade sem a paternidade de Deus, ele vai enganar até mesmo os eleitos. Ele vai erguer uma contra-igreja que será um arremedo da Igreja, porque ele, o Diabo, é o arremedo de Deus. Ela terá todas as notas e características da Igreja, mas totalmente esvaziada de seu conteúdo divino. Será um corpo místico do Anticristo que, em todos os aspectos externos, se assemelhará ao corpo místico de Cristo... Mas o século XX se unirá à contra-igreja porque afirmará ser infalível quando seu líder visível falar ex-cathedra de Moscou sobre o tema da economia e da política e como pastor e chefe do comunismo mundial.”


Fonte: Fulton J. Sheen, Communism and the Conscience of the West. Bobbs-Merril Company, Indianapolis, 1948), pp. 22-25.


Notas:

1. Obra mais famosa de Johann von Goethe
2. Refere-se ao filosofo russo Wladimir Soloviev que escreveu “O conto do Anticristo”

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