domingo, 11 de outubro de 2015

Uma Instituíção Divina





Uma Instituíção Divina

Dois altares sagrados se ergueram na história da humanidade, dos quais jorraram vida: O altar celeste do santo sacrifício de Cristo que se perpetua ao longo dos séculos na Santa Missa e o altar terreno do leito nupcial que perpetua a espécie humana na terra. 
Ambos são movidos pelo amor; um, por um amor mais perfeito, o outro, por um amor ainda imperfeito, mas ambos sagrados.

O matrimônio é um acontecimento que transcende seu limiar terreno. Não é uma mera união de corpos, como insinua o mundo, mas imagem de uma união mais profunda que se consome na eternidade, como ensina a Igreja.
"A união conjugal, ensina Pio XI, é acima de tudo, um acordo mais estreito que o dos corpos; não é um atrativo sensível nem uma inclinação dos corações o que a determina, mas uma decisão deliberada e firme das vontades" (Casti Connubii, 7). 
Sobre o matrimônio, escrevia São Paulo: "Este mistério é  grande..." (Ef 5, 32). 
Há um mistério tão profundo na união matrimonial que ela é comparada a união de Cristo com a Igreja (cf Ef 5, 22). 
O mistério sublime que se realizou ainda nos tempos da inocênca original, onde o primeiro homem sentiu-se misteriosamente só. 
Misteriosamente porque, embora tivesse a companhia do Criador sentiu necessidade de uma auxiliar! 
Esta solidão que o primeiro homem sentiu, não foi aquela terrível solidão interior, -- angústia de uma ausência inexplicável e insuprível consequência do pecado original --, mas uma mera solidão exterior. A solidão natural que sente qualquer criatura sem outros semelhantes.
 "Não é bom que o homem esteja só, façamos-lhe uma auxiliar" (Gen 2, 18) disse o Criador. Deus estava longe de ser um semelhante, sendo infinitamente superior ao homem. 

É esta ausência natural que leva o homem a procurar alguém que o complete. Um desejo que transpassa os desejos meramente carnais. Uma centelha da união divina que nossa alma anseia um dia experimentar na eternidade.

O matrimônio nas páginas da Escritura e do Magistério

O matrimônio marca decisivamente as páginas das Escrituras. Do Gênesis ao Apocalipse a vida terrena é inaugurada e encerrada com um matrimônio. No primeiro caso, a união de Adão e Eva, -- nossos primeiros pais --, no segundo, a união de Cristo com a Jerusalém celeste, -- a Igreja. 

O matrimônio foi o ambiente em que aconteceu o primeiro milagre de Jesus (cf Jo 2). E ainda narra o evangelista que as bodas em Caná ocorreram no terceiro dia, (Jo 2,1) assinalando assim também, naquelas bodas, uma prefiguração da Paixão que haveria de se consumar ao final da peregrinação terrena de Nosso Senhor. 
Nas bodas de Caná, Cristo trouxe um vinho novo, no entanto passageiro, nas bodas do calvário, Cristo concedeu seu sangue como bebida de salvação eterna. 
A união esponsal ainda está analogamente ligada a Paixão de Nosso Senhor, de modo que, o leito nupcial torna-se no ato conjugal um altar, e o casal, os ministros a celebrar este sacramento, no qual podem repetir um ao outro as santas palavras de Nosso Senhor na véspera de sua Paixão: "Isto é o meu corpo que será entregue por vós".  

Por isso, o apóstolo reforça esta imagem ao dizer: "Maridos, amai vossas esposas como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela" (Ef 5, 25). E como Cristo amou e se entregou pela Igreja? Na Cruz! 
Por isso o amor prometido deve ser incondicional. Na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, na alegria  na tristeza... Para todo o sempre.

A principal finalidade do matrimônio

"Que a procriação dos filhos seja a razão do matrimônio" 
(Sto Agostinho, De Bono Conj. XXIV, 32)

"Os filhos são um dom do Senhor, o frutos das entranhas é uma recompensa".
(Sal 126, 3)


Algumas palavras do rito matrimonial nunca devem ser esquecidas pelo casal.
A primeira, de que que esta escolha é livre e de todo coração e que o casal se compromete mutuamente a sempre deverem-se o amor e o respeito. 

E o mais grave destes compromissos: aceitar livremente os filhos que Deus os enviar e criá-los em sua santa vontade.
Digo, que este é o mais grave porque, esta sociedade pagã em que vivemos, vê a maternidade com maus olhos e adota leis ímpias para controlá-la, indo em direta oposição as leis divinas e naturais.

Deus dotou o homem de uma parcela de seu dom criador, por isso um dos compromissos assumidos no altar, antes daquele decisivo sim, foi o de dar posteridade à espécie: 
“Estais dispostos a receber amorosamente da mão de Deus os filhos que Ele lhes enviar e a educa-los...?”, interroga a Igreja no rito do matrimônio. E esta é uma condição, sine qua non, diria, para a consumação do sacramento matrimonial. 

Na modernidade, numerosos casais egoisticamente renunciaram este dom divino que Deus tão amorosamente legou a humanidade, para abraçar a cultura neo pagã, onde o prazer carnal é mais importante que os filhos; os meios mais importantes que o fim. 
Mas, mesmo assim, o maior dos bens que um casal pode ostentar sempre serão os filhos, e a infecundiade sempre figurará em tons sombrios em todas as épocas.

A infecundidade marca as páginas das Escrituras como um grande infortúnio. Comovente é o drama de Ana por sua infecundade (cf. I Sam 1, 1-8). A esterilidade é uma condição tão vergonhosa para a mulher hebraica, que Sara preferiu ver seu esposo engravidar uma de suas escravas a se ver sem posteridade (cf. Gen 16, 1-6); e a cada filho gerado por Lia, era recebido com grande louvor (cf. Gen 29, 31-35); por outro lado, na mesma casa pairava o sofrimento indizível de Raquel por sua infecundidade, a ponto desta preferir a morte a permanecer nesta triste condição: “Dá-me filhos senão morrerei”. (Gen 30, 1)

Nos tempos modernos, a esterilidade não é algo belo, e longe está de sê-lo, no entanto, ensina-se que o número de filhos deve ser cada vez mais reduzido. Estimula-se assim o hediondo controle de natalidade (também chamado Planejamento Familiar para suavizar a gravidade do ato)
O Santo Padre Pio XII em um discurso dirigido às famílias numerosas, indo na contra mão de tudo o que ensina a sociedade neo-pagã, afirmou categoricamente que as famílias numerosas são as famílias mais abençoadas por Deus:
"...As famílias numerosas, isto é, as que são  mais abençoadas por Deus, queridas e estimadas pela Igreja como os tesouros mais preciosos". (cf. Alocução de 20 de janeiro 1958)
Pio XII ainda condena o controle de natalidade como "uma das aberrações mais prejudiciais da moderna sociedade pagã”.

Nos tempos modernos estas verdades perenes foram reafirmadas pelo Vaticano II: "Os filhos são o dom mais excelente do matrimônio...", (Gaudium et Spes, 50).
E continuam a ser parte  inalterável do ensinamento da Igreja. Que nunca abrirá mão da verdade! 

Conclusão

Um dos primeiros sintomas da decadência de uma sociedade se percebe no desvio e desprezo da sacralidade do matrimônio. 
O demônio semeou, ao longo da história, no leito nupcial sua cizânia, causando grandes desordens na humanidade. Antes de se perverter uma  sociedade,  se perverte o leito nupcial. 
Por isso,  a Igreja, como mãe e mestra da humanidade, compreendeu o perigo destas desordem, e lutou com denodo contra todos os males que ameaçavam a vida matrimonial. 
Quantos pontifices não sofreram duras penas por se oporem aos desvios que ameaçavam o caráter sagrado do matrimônio? 
Pio VII enfrentou a fúria de Napoleão por negar a nulidade do casamento de seu primo. Clemente VII e Paulo III sofreram os duros golpes de Henrique VIII por contrariarem suas desordens. Nicolau II fora perseguido por Lotário, Urbano II e Pascoal II padeceram a ira de Felipe I, rei da França, e Celestino III e Inocêncio III de seu sucessor, Felipe II, princípe da  França. 
Todas estas perseguições tiveram como causa, a impassividade da Igreja em defesa do matrimônio contra as desordens que o ameaçavam. 
A Igreja é a guardiã sagrada do matrimônio. É missão dela zelar por sua inviolabilidade... Quer agrade ou desagrade os homens.