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sábado, 12 de fevereiro de 2022

Bandido bom é bandido morto para o pecado e renascido para a graça



Carta do assassino de Santa Maria Goretti


Tenho agora quase 80 anos. Estou perto do fim dos meus dias. Olhando para o meu passado, reconheço que na minha juventude eu segui um mau caminho, um caminho que levou à minha ruína.

Através das revistas, dos espetáculos imorais e dos maus exemplos na imprensa, eu vi a maioria dos jovens da minha idade seguir o caminho do mal sem pensar duas vezes. Despreocupado, eu fiz a mesma coisa. Havia fiéis e cristãos verdadeiramente praticantes à minha volta, mas eu não lhes dava importância. Eu estava cego por um impulso bruto que me empurrava para uma forma errada de vida.

Com a idade de 20 anos, eu cometi um crime passional, cuja memória ainda hoje me horroriza. Maria Goretti, hoje uma santa, foi o bom anjo que Deus colocou no meu caminho para me salvar. As palavras dela, tanto de repreensão como de perdão, ainda hoje estão impressas no meu coração. Ela rezou por mim, intercedeu pelo seu assassino. Quase 30 anos de prisão se seguiram. Se eu não fosse menor de idade, pela lei italiana, eu teria sido condenado à prisão perpétua. No entanto, eu aceitei a pena como algo que eu merecia.

Resignado, eu expiei pelo meu pecado. A pequena Maria foi verdadeiramente a minha luz, a minha proteção. Com a ajuda dela, eu cumpri bem esses 27 anos na prisão. Quando a sociedade me aceitou de volta entre os seus membros, eu procurei viver de forma honesta. Com caridade angélica, os filhos de São Francisco, os frades capuchinhos menores, receberam-me entre eles, não como servo, mas como irmão. Tenho vivido com eles há 24 anos. Agora eu olho serenamente para o dia em que serei admitido à visão de Deus, para abraçar os meus entes queridos mais uma vez, e para ficar próximo do meu anjo da guarda, Maria Goretti, e a sua querida mãe, Assunta.

Que todos os que vierem a ler esta carta desejem seguir o santo ensinamento de fazer o bem e evitar o mal. Que todos possam acreditar, com a fé dos pequeninos, que a religião e os seus preceitos, não são algo que se possa prescindir. Pelo contrário, é o verdadeiro conforto e a única via segura em todas as circunstâncias da vida, mesmo nas mais dolorosas.


Alessandro Serenelli

Macerata, Itália - 5/05/1961

O Início da Vida Segundo a Ciência



Para quem tiver a paciência e a humildade de ouvir o que os maiores especialistas e escritores do mundo na área da embriologia tem a dizer sobre o início da vida humana, segue abaixo suas opiniões extraídas de seus respectivos tratados científicos. 

Não é dogma religioso, não é convenção pública ou consenso democrático: está provado há mais de século que a vida humana se inicia na fertilização do óvulo pelo espermatozóide:

"O desenvolvimento do embrião começa no estágio 1, quando o espermatozóide fertiliza óvulo e juntos se tornam um zigoto" (Marjorie England, professor da Faculdade de Medicina de Ciências Clínicas, Universidade de Leicester, Reino Unido). [1]

"O desenvolvimento humano começa depois da união dos gametas masculino e feminino durante um processo conhecido como fertilização (concepção).

Fertilização é uma sequência de eventos que começa com o contato de um espermatozóide com um óvulo em sequência e termina com a fusão de seus núcleos e a união de seus cromossomos formando uma nova célula. Este óvulo fertilizado, conhecido como zigoto, é uma larga célula diplóide que é o começo, o primórdio de um ser humano" (Keith L. Moore, premiado professor emérito e cátedro da divisão de anatomia da Faculdade de Medicina da Universidade de Toronto, Canadá). [2]

"Embrião: um organismo no estágio inicial de desenvolvimento; em um homem, a partir da concepção até o fim do segundo mês no útero" (Ida G. Dox, autora sênior de inúmeros livros de refência para médicos e cientistas, premiada, trabalhou na Escola de Medicina da Universidade de GeorgeTown). [3]

"Para o homem o termo embrião é usualmente restrigido ao período de desenvolvimento desde a fertilização até o fim da oitava semana da gravidez" (William J. Larsen, PhD, Professor do Departmento de Biologia Celular, Neurologia e Anatomia, membro do Programa de Graduação em Desenvolvimento Biológico do Colégio de Medicina da Universidade de Cincinnati) [4].

"O desenvolvimento de um ser humano começa com a fertilização, processo pelo qual duas células altamente especializadas, o espermatozóide do homem e o óvulo da mulher, se unem para dar existência a um novo organismo, o zigoto" (Dr. Jan Langman, MD. Ph.D., professor de anatomia da Universidade da Virgínia) [5].

"Embrião: o desenvolvimento individual entre a união das células germinativas e a conclusão dos órgãos que caracteriza seu corpo quando se torna um organismo separado…No momento em que a célula do espermatozóide do macho humano encontra o óvulo da fêmea e a união resulta num óvulo fertilizado (zigoto), uma nova vida começa…O termo embrião engloba inúmeros estágios do desenvolvimento inicial da concepção até o nona ou décima semana de vida" (Van Nostrand’s Scientific Encyclopedia) [6].

"O desenvolvimento de um ser humano começa com a fertilização, processo pelo qual o espermatozóide do homem e o óvulo da mulher se unem para dar existência a um novo organismo, o zigoto" (Thomas W. Sadler, Ph.D., Departamento de Biologia Celular e Anatomia da Universidade da Carolina do Norte) [7].

"A questão veio sobre o que é um embrião, quando o embrião existe, quando ele ocorre. Eu penso, como você sabe, que no desenvolvimento, vida é um continuum…Mas penso que uma das definições usuais que nos surgiu, especialmente da Alemanha, tem sido o estágio pelo qual esses dois núcleos (do espermatozóide e do óvulo) se unem e as membranas entre eles se chocam" (Jonathan Van Blerkon, Ph.D., pioneiro dos procedimentos de fertilzação em vitro, professor de desenvolvimento molecular, celular da Universidade de Colorado, reconhecido mundialmente como o preeminente expert na fisiologia do óvulo e do espermatozóide) [8].

"Zigoto. Essa célula, formada pela união de um óvulo e um espermatozóide, representa o início de um ser humano. A expressão comum "óvulo fertilizado" refere-se ao zigoto" (Keith L. Moore, premiado professor emérito e cátedro da divisão de anatomia da Faculdade de Medicina da Universidade de Toronto, Canadá; Dr. T.V.N. Persaud é professor de Anatomia e Chefe do Departamento de Anatomia, professor de Pediatria e Saúde Infantil, Universidade de Manitoba, Winnipeg, Manitoba, Canadá. Em 1991, recebeu o prêmio mais importante no campo da Anatomia, do Canadá, o J.C.B. Grant Award, da Associação Canadense de Anatomistas) [9].

"Embora a vida seja um processo contínuo, a fertilização é um terreno crítico porque, sob várias circunstâncias ordinárias, um novo, genéticamente distinto organismo humano é por isso mesmo formado…A combinação dos 23 cromossomos presente em cada pró-núcleo resulta nos 46 cromossomos do zigoto. Dessa forma o número do diplóide é restaurado e o gênoma embrionário é formado. O embrião agora existe como uma unidade genética" (Dr. Ronan O’Rahilly, professor emérito de Anatomia e Neurologia Humana na Universidade da Califórnia) [10].

"Quase todos animais maiores iniciam suas vidas de uma única célula: o óvulo fertilizado (zigoto)…O momento da fertilização representa o ponto inicial na história de uma vida, ou ontogênia, de um indíviduo" (Bruce M. Carlson, M.D, Ph.D., pesquisador professor emérito da Escola Médica de Desenvolvimento Biológico e Celular). [11]

"Deixe-me contar um segredo. O termo pré-embrião tem sido defendido enérgicamente por promotores da Fertilização In Vitro por razões que são políticas, não científicas. O novo termo é usado para prover a ilusão de que há algo profundamente diferente entre o que não-médicos biólogos ainda chamam de embrião de seis dias de idade e entre o que todo mundo chama de embrião de dezesseis dias de idade. O termo pré-embrião é usado em arenas políticas – aonde decisões são feitas para permitir o embrião mais novo (agora chamado de pré-embrião) de ser pesquisado – bem como em confinados escritórios médicos, aonde pode ser usado para aliviar preocupações morais que podem ser expostos por pacientes de fertilização in vitro. "Não se preocupe", um médico pode dizer, "é apenas um pré-embrião que estamos congelando ou manipulando. Eles não se tornaram embriões humanos reais até que coloquemo-os de volta ao seu corpo" (Lee M. Silver, professor da célebre Universidade de Princeton no Departamento de Biologia Molecular e da Woodrow Wilson School of Public and International Affairs). [12]

[1] [England, Marjorie A. Life Before Birth. 2nd ed. England: Mosby-Wolfe, 1996, p.31]

[2] [Moore, Keith L. Essentials of Human Embryology. Toronto: B.C. Decker Inc, 1988, p.2]

[3] [Dox, Ida G. et al. The Harper Collins Illustrated Medical Dictionary. New York: Harper Perennial, 1993, p. 146]

[4] [Walters, William and Singer, Peter (eds.). Test-Tube Babies. Melbourne: Oxford University Press, 1982, p. 160]

[5] [Langman, Jan. Medical Embryology. 3rd edition. Baltimore: Williams and Wilkins, 1975, p. 3]

[6] [Considine, Douglas (ed.). Van Nostrand's Scientific Encyclopedia. 5th edition. New York: Van Nostrand Reinhold Company, 1976, p. 943]

[7] [Sadler, T.W. Langman's Medical Embryology. 7th edition. Baltimore: Williams & Wilkins 1995, p. 3]

[8] [Jonathan Van Blerkom of University of Colorado, expert witness on human embryology before the NIH Human Embryo Research Panel -- Panel Transcript, February 2, 1994, p. 63]

[9] [Moore, Keith L. and Persaud, T.V.N. Before We Are Born: Essentials of Embryology and Birth Defects. 4th edition. Philadelphia: W.B. Saunders Company, 1993, p. 1]

[10] [O'Rahilly, Ronan and Müller, Fabiola. Human Embryology & Teratology. 2nd edition. New York: Wiley-Liss, 1996, pp. 8, 29. This textbook lists "pre-embryo" among "discarded and replaced terms" in modern embryology, describing it as "ill-defined and inaccurate" (p. 12}]

[11] [Carlson, Bruce M. Patten's Foundations of Embryology. 6th edition. New York: McGraw-Hill, 1996, p. 3]

[12] [Silver, Lee M. Remaking Eden: Cloning and Beyond in a Brave New World. New York: Avon Books, 1997, p. 39]

Tradução livre: Cultura da Vida

A crise na Igreja

 


Seria preciso cobrir os olhos para não ver que a Igreja Católica sofre uma grave crise. Esperava-se, nos anos sessenta, na época do Concílio Vaticano II, uma nova primavera para a Igreja, mas foi o contrário que aconteceu. Milhares de padres abandonaram seu sacerdócio; milhares de religiosos e de religiosas retornaram à vida secular. Na Europa e na América do Norte, as vocações se tornam raras, e não se pode nem mais computar o número de seminários, conventos e casas religiosas que tiveram que fechar. Muitas paróquias permanecem sem padre e as congregações religiosas devem abandonar escolas, hospitais e asilos para idosos. “Por alguma fissura, a fumaça de Satanás entrou no Templo de Deus” – essa era a queixa do Papa Paulo VI em 29 de junho de 1972.

No conjunto da Igreja, entre 1962 e 1972, 21.320 padres foram reduzidos ao estado leigo. Não estão incluídos neste número aqueles que negligenciaram pedir uma redução oficial ao estado leigo. Entre 1967 e 1974, trinta a quarenta mil padres teriam abandonado sua vocação. Esses fatos catastróficos podem, com algum esforço, ser comparados com os acontecimentos que acompanharam a auto-intitulada “Reforma” protestante do século XVI.

Havia na França, nos anos cinqüenta, por volta de mil ordenações sacerdotais por ano. Desde os anos noventa, não há mais de cem por ano. Havia 41000 padres diocesanos na França em 1965. Não havia mais de 16859 em 2004, e a maioria tem mais de 60 anos. O número de religiosos no mundo continua a diminuir.




- Catecismo da Crise na Igreja – Pe. Matthias Gaudron, P. 7,8.

sexta-feira, 14 de maio de 2021

O dia em que uma oração mariana arrebatou o coração de Alexandre Dumas



        Alexandre Dumas não pode ser considerado nenhum exemplo de católico. No entanto, ele nos legou um dos mais sublimes relatos dos encantos que a devoção mariana irradiava em tempos pretéritos. Nos relatos de sua viagem a bordo do Le Speronare (nome que serviu de título à obra citada), o afamado autor francês relata a oração ao por-do-sol entoada por marinheiros na costa da Sicília que inebriou sua alma por alguns instantes. Eis o relato: 

“A Ave-Maria”. –– disse o capitão em alta voz. 

A estas palavras, cada qual saiu das escotilhas e dirigiu-se ao convés.

De um extremo ao outro da Itália, essa oração, que cai em uma hora solene, encerra o dia e abre a noite. [Na Itália, o Ângelus não é rezado necessariamente em hora fixa, às 18:00 horas, mas ao anoitecer] 

Esse momento do crepúsculo, em toda parte cheio de poesia, no mar é acrescido de uma santidade infinita. Essa misteriosa imensidade do ar envolvente e das ondas, esse sentimento profundo da fraqueza humana comparada ao poder onipotente de Deus, essa escuridão que avança, e durante a qual o perigo, sempre presente, vai crescer ainda mais, tudo isso predispõe o coração a uma melancolia religiosa, a uma confiança santa que soergue a alma nas asas da fé. Essa tarde, sobretudo o perigo do qual acabáramos de escapar e que nos era lembrado de tempos em tempos por uma onda encapelada ou mugidos longínquos.

Tudo inspirava à tripulação e a nós mesmos um profundo recolhimento. No momento em que nos juntávamos no convés, a noite começava a tornar-se mais espessa no oriente; as montanhas da Calábria e a ponta do cabo de Pelora perdiam sua bela cor azul para se confundir em uma tintura acinzentada que parecia descer do céu, como se estivesse caindo uma fina chuva de cinzas. Enquanto no ocidente, um pouco à direita do Arquipélago de Lipari, cujas ilhas de formas extravagantes destacavam-se com vigor sobre um horizonte de fogo, o sol alargado e listrado de longas faixas violetas começava a embeber a orla de seu disco no Mar Tirreno, que, cintilante e movimentado, parecia rolar ondas de ouro derretido.

Nesse momento, o piloto levantou-se, tomou em seus braços o filho do capitão, que pôs de joelhos sobre o teto da cabine; e, abandonando o leme como se a embarcação estivesse suficientemente dirigida pela oração, sustentou o menino para que o balanço não lhe fizesse perder o equilíbrio.

Esse grupo singular destacou-se logo sobre um fundo dourado, semelhante a uma pintura célebre; e com uma voz tão fraca, que apenas chegava até nós, e que, entretanto, acabava de subir até Deus, começou o menino a recitar a prece virginal que os marinheiros escutavam de joelhos e nós inclinados.

Eis uma dessas lembranças para as quais o pincel é fácil e a pena insuficiente. Eis uma dessas cenas que narração alguma pode descrever, que nenhum quadro pode reproduzir, porque sua grandeza está inteira no sentimento íntimo dos atores que a realizam. Para um leitor de viagens ou um amante das coisas do mar, não será senão uma criança que reza, homens que respondem e um navio que flutua.

Mas, para qualquer pessoa que tiver assistido a uma cena parecida, será um dos mais magníficos espetáculos que ela tenha visto, uma das mais magníficas lembranças que ela tenha guardado; será a fraqueza que reza, a imensidade que olha, e Deus que escuta”.

O relato de Dumas demonstra que, diante de um ato de verdadeira fé, poucos podem manter-se indiferentes.

sábado, 10 de abril de 2021

O Privilégio do Branco: Porque somente a sete mulheres é permitido usar branco diante do Papa

 


Rainha Helena do Montenegro, de Itália, e Princesa Herdeira Maria José da Bélgica usando indumentária branca na presença do Papa Pio XII no Palácio do Quirinal, a 27 de dezembro de 1939
.


Por séculos se conserva uma tradição nos encontros oficiais com o Papa em distinguir algumas poucas mulheres com o uso do branco durante o encontro. A tradição conhecida como privilège du blanc (Privilégio do Branco), que consiste no uso de véu, mantilha e um vestido alvo, atualmente é reservado a apenas sete mulheres, que preenchem os requisitos para o uso da tradição. 

São elas: 

A Rainha Sofia da Espanha

A Rainha Paola da Belgas

Maria Teresa, grã-duquesa de Luxemburgo

A Princesa de Monaco

Rainha  Matilde da Belgica

Rainha Letizia da Espanha 

A Princesa de Napoles

Este privilégio é concedido apenas às soberanas católicas, com as seguintes condições: as mulheres devem professar publicamente a fé católica e serem casadas com monarcas católicos. Para a maioria das mulheres, nos encontros protocolares com o Sumo Pontífice, a cor oficial é o preto. 

 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

A Apostasia de Roma segundo um Cardeal


Cardeal H. Edward Manning (1888, Inglaterra, 1892)


A apostasia da cidade de Roma através do vigário de Cristo, e sua destruição pelo Anticristo, pode ser um pensamento tão novo para muitos católicos que eu penso que seria bom recordar o texto dos teólogos de maior reputação. Primeiro, Malvenda que escreve expressamente sobre o assunto, e declara, assim como a opinião de Ribera, Gaspar Melus, Viegas, Suarez, Belarmino e Bosius que Roma deve apostatar da fé, afugentar o vigário de Cristo e retornar ao seu antigo paganismo. As palavras de Malvenda são: “Mas a própria Roma nos últimos tempos do fim do mundo retornará a sua antiga idolatria, grandeza e poder imperial. Ela expulsará seu pontífice, completamente apostata da fé cristã, perseguirá terrivelmente a Igreja, derramará o sangue dos mártires com mais crueldade do que nunca, e recuperará seu estado anterior de abundante riqueza, ou até maior do que tinha sob seus primeiros governantes”. 

Lessius diz: “nos tempos do Anticristo, Roma deverá ser destruída, como vemos abertamente no décimo terceiro capítulo do livro do Apocalipse;” e outra vez: “A mulher a quem vistes é a grande cidade, que tem o reino acima dos reis da terra, na qual é significada Roma em sua impiedade, tal como foi no tempo de São João, e deverá ser outra vez no fim do mundo.”  E Belarmino: “No tempo do Anticristo, Roma deverá ser desolada e queimada, como aprendemos do décimo sexto verso do décimo sétimo capítulo do Apocalipse.” Palavras nas quais o jesuíta Erbermann comenta como se segue: “Todos nós confessamos com Belarmino que o povo romano, um pouco antes do fim do mundo, retornará ao paganismo e expulsará o romano pontífice”. 

Viegas, sobre o capítulo XVIII do Apocalipse diz: “Roma, na última era do mundo, após ter apostatado da fé, alcançará grande poder e esplendor de riqueza, e sua influência será amplamente difundida por todo o mundo, e florescerá grandemente. Vivendo na luxúria e abundância de todas as coisas, ela cultuará ídolos e mergulhará em todo tipo de superstição, e prestará honra a falsos deuses. E por causa da vasta efusão do sangue dos mártires que foi derramado sob os imperadores, Deus irá vinga-los com mais severidade e justiça, e ela será totalmente destruída, e queimada por um terrível e tormentoso incêndio”.   

Finalmente, Cornélio, a lápide, resume o que pode ser dito como a interpretação comum dos apóstolos. Comentando sobre o mesmo capítulo XVIII do Apocalipse, ele diz: “Estas coisas são para ser entendidas da cidade de Roma, não aquela que é, nem aquela que foi, mas aquela que deverá ser no fim do mundo. Pois, a então cidade de Roma retornara à sua antiga glória, e da mesma forma a sua idolatria e outros pecados, e deverá ser tal qual ela foi no tempo de São João, sob Nero, Domitiano, Décio etc. Pois, de cristã ela deve se tornar outra vez pagã. Deve lançar fora o pontífice cristão e o fiel que adere a ele. Deverá perseguir e arrasá-los. Deverá rivalizar com a perseguições dos imperadores pagãos contra os cristãos... Pois, assim como vemos, Jerusalém foi primeiro pagã sob os cananeus; segundo, fiel sob os judeus; terceiro, cristã sob os apóstolos; quarto, pagã sob os romanos; e quinto, sarracena sob os turcos”.

Tal, eles acreditam, será a história de Roma: Pagã sob os imperadores; cristã sob os apóstolos; fiel sob os pontífices; apostata sob a Revolução e pagã sob o Anticristo. Somente Jerusalém poderia pecar tão formalmente e cair tão baixo; pois só Jerusalém foi tão escolhida, iluminada e consagrada. E como nenhum povo já foi tão intenso em suas perseguições a Jesus como os judeus, então eu temo que nenhum será mais implacável contra a fé do que os romanos.     


- Cardinal Henry Edward Manning, The Present Crisis of The Holy See tested by prophecies, London: Burns&Lambert, 1861. Tradução minha

domingo, 5 de abril de 2020

Jejum Dominical? Qual a orientação da Igreja?






       Um grande reboliço se formou sobre a licitude do jejum e da penitência no Domingo, após a convocação nacional para esta pratica num Domingo de Ramos. O jejum, conforme observa Sto Tomás, é ordenado por dois motivos: “Delir a culpa e elevar a mente às coisas espirituais” (Suma Teológica, II-II, Q. 147, Art. 5) E neste sentido, podemos dizer que o chamado à pratica por parte de nossas autoridades é extremamente louvável, especialmente em tempos tão tormentosos como estes que ora atravessamos. No entanto, a data escolhida não foi a mais adequada (Domingo de Ramos). Cabe ainda ressaltar que o presidente, a quem é imputado a origem da convocação, não indicara o domingo como o dia para o ato; sua intenção fora a de propor um dia de abstinência para “gente ficar livre desse mal o mais rápido possível” (referindo-se ao coronavírus), conforme suas palavras. A indicação do domingo partiu de parlamentares e líderes pentecostais e, rapidamente ganhou repercussão.

No entanto, sabemos que faz parte da tradição da Igreja abster-se de jejum e penitência em dias de solenidade e aos Domingos, onde o maior jubilo da cristandade é celebrado. E essa percepção remonta aos primeiros séculos do cristianismo. 

O Sínodo de Gangra, ocorrido em 340, terceiro século da era cristã, condenava de forma enfática a prática do jejum e da penitência no domingo: “Se alguém sob pretensão de ascetismo, jejuar no domingo, seja anátema” (Canon XVIII). Evidentemente, a condenação não ficara desprovida de grandes controvérsias, que inclusive saltaram daquele tempo para nossas redes sociais em defesa da convocação. Santo Agostinho, que inclusive é citado em defesa do Jejum no Domingo, afirmou um século depois do supracitado concílio: “Omitem-se os jejuns e reza-se de pé como sinal da ressurreição; também por isso se canta todos os domingos o aleluia”. (Epistula 55, 28). E o mesmo santo, nos deixara ainda esta frase mais enfática sobre o assunto: “Jejuar em dia de domingo é grande escandá-lo” (Carta a Casulano, 36, 27. 396)
E tais controversias tiveram lugar em uma época em que a Igreja combatia diversas heresias, entre as quais, o marcionismo, cerdonismo, priscilianismo e o maniqueismo, que tinham por hábito jejuar aos domingos, exigindo leis enérgicas, como a que fora promulgada em um cânon do Concílio de Braga (561-563) onde se dizia: “Se alguém não venera de verdade o dia do nascimento de Cristo segundo a carne, mas finge venerá-lo, jejuando nesse dia e no domingo, porque não crê que Cristo tenha nascido da verdadeira natureza do homem, como o disseram Cerdon, Marcião, Maniqueu e Prisciliano, seja anátema” (Papa Julio III, I Sínodo de Braga, 1 de maio de 561)
Houve algumas mitigações com o tempo, mas a compreensão da matéria sempre foi a mesma, sendo posteriormente consagrada no velho Código de Direito Canônico (1917) –– substituído em 1983 com a promulgação do novo código por João Paulo II ––, no seguinte Cânon: “Aos Domingos e dias de preceito (exceto dias de preceito durante a Quaresma), as leis do jejum e da abstinência não se vinculam” (Can. 1252, § 4) O que todavia, o novo Código, embora tenha suprimido, nos deixou indícios de que esta compreensão permanece, conforme nos indica João Paulo II em sua encíclica Dies Domini: "Historicamente, ainda antes de ser vivido como dia de repouso aliás não previsto então no calendário civil — os cristãos viveram o dia semanal do Senhor ressuscitado sobretudo como dia de alegria. “Que todos estejam alegres, no primeiro dia da semana”: lê-se na Didascália dos Apóstolos (100). A manifestação da alegria era visível também no uso litúrgico, mediante a escolha de gestos apropriados (101).  

Sto. Agostinho, fazendo-se intérprete da consciência geral da Igreja, põe em evidência tal caráter da Páscoa semanal: “Omitem-se os jejuns e reza-se de pé como sinal da ressurreição; também por isso se canta todos os domingos o aleluia.” (nº 55)

E por que não se deve jejuar no domingo? 

Conforme fora dito na referida citação, o domingo é o dia da alegria da ressurreição e da vida, o dia em que os dissabores de uma vida de penitência costumam ser mitigados, com espaço para raras exceções, como as impostas pela própria graça sobrenatural aos santos penitentes que viveram uma vida ininterrupta de penitência.
Por outro lado, os defensores do suposto chamado presidencial, servindo-se de Sto Tomás, e até de Sto Agostinho, costumam mencionar um trecho dos comentários do santo doutor aos Dez Mandamentos, onde se lê: “[no Domingo também] devemos afligir nosso corpo com com jejuns (...) e isto duas vezes mais do que nos outros dias".
Todavia, neste trecho, Sto Tomás refere-se ao que ele chama de “jejum por alegria”, que ele distingue do “jejum por penitência” –– “impróprio dos dias de alegria” (cf. idem) –– conforme está exposto na Suma Teológica (II-II, Q. 14, art. 5), onde o santo doutor afirma: “A Igreja não obriga a nenhum jejum em todo o tempo Pascal, nem nos dias de domingo. E não estaria isento de pecado quem jejuasse em tais dias, contra o costume do povo cristão, que como diz Agostinho, deve ser tido como lei; ou o fizesse por algum erro como o praticam os Maniqueus, que julgam necessário tal jejum. Contudo, o jejum em si mesmo é louvável em todo tempo, conforme o diz Jerônimo: Oxalá pudéssemos jejuar sempre!” (ibidem)

Leve-se em conta também o fato de que, somos obrigados, há algumas horas antes da comunhão eucarística, em conservar uma abstinência temporária de alimentos, que não deve ser interpretada como jejum ou penitência. Mas isso não vem ao caso. O fato é que o Domingo não é dia para jejum e penitência, embora, a Igreja não julga que peca aquele que assim proceda.  


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*A doutrina oficial da Igreja determina como obrigatória o jejum e a abstinência na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira santa, a todo indivíduo maior de 18 anos, (sendo facultado a partir dos 14 anos completo) e em plena posse de suas faculdades mentais, derivando daí, a necessidade de se fazer o mesmo nas sextas e quartas do ano, salvo os dias em que solenidades sejam celebradas nestes dias.

ATO DE DESAGRAVO PARA OS DIAS DE CARNAVAL

  ATO DE DESAGRAVO PARA OS DIAS DE CARNAVAL (Se possível, diante do Ssmo. Sacramento exposto)     C oração dulcíss...