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quinta-feira, 1 de agosto de 2024

As Sete Excelências da Batina

 


por Jaime Tovar Patrón


1ª – RECORDAÇÃO CONSTANTE DO SACERDOTE

Certamente que, uma vez recebida a ordem sacerdotal, não se esquece facilmente. Porém um lembrete nunca faz mal: algo visível, um símbolo constante, um despertador sem ruído, um sinal ou bandeira. O que vai à paisana é um entre muitos, o que vai de batina, não. É um sacerdote e ele é o primeiro persuadido. Não pode permanecer neutro, o traje o denuncia. Ou se faz um mártir ou um traidor, se chega a tal ocasião. O que não pode é ficar no anonimato, como um qualquer. E logo quando tanto se fala de compromisso! Não há compromisso quando exteriormente nada diz do que se é. Quando se despreza o uniforme, se despreza a categoria ou classe que este representa.

2ª – PRESENÇA DO SOBRENATURAL NO MUNDO

Não resta dúvida de que os símbolos nos rodeiam por todas as partes: sinais, bandeiras, insígnias, uniformes… Um dos que mais influencia é o uniforme. Um policial, um guardião, é necessário que atue, detenha, dê multas, etc. Sua simples presença influi nos demais: conforta, dá segurança, irrita ou deixa nervoso, segundo sejam as intenções e conduta dos cidadãos. Uma batina sempre suscita algo nos que nos rodeiam. Desperta o sentido do sobrenatural. Não faz falta pregar, nem sequer abrir os lábios. Ao que está de bem com Deus dá ânimo, ao que tem a consciência pesada avisa, ao que vive longe de Deus produz arrependimento. As relações da alma com Deus não são exclusivas do templo. Muita, muitíssima gente não pisa na Igreja. Para estas pessoas, que melhor maneira de lhes levar a mensagem de Cristo do que deixar-lhes ver um sacerdote consagrado vestindo sua batina? Os fiéis tem lamentado a dessacralização e seus devastadores efeitos. Os modernistas clamam contra o suposto triunfalismo, tiram os hábitos, rechaçam a coroa pontifícia, as tradições de sempre e depois se queixam de seminários vazios; de falta de vocações. Apagam o fogo e se queixam de frio. Não há dúvidas: o “desbatinamento” ou “desembatinação” leva à dessacralização.

3ª – É DE GRANDE UTILIDADE PARA OS FIÉIS

O sacerdote o é não só quando está no templo administrando os sacramentos, mas nas vinte e quatro horas do dia. O sacerdócio não é uma profissão, com um horário marcado; é uma vida, uma entrega total e sem reservas a Deus. O povo de Deus tem direito a que o auxilie o sacerdote. Isto se facilita se podem reconhecer o sacerdote entre as demais pessoas, se este leva um sinal externo. Aquele que deseja trabalhar como sacerdote de Cristo deve poder ser identificado como tal para o benefício dos fiéis e melhor desempenho de sua missão.

4ª – SERVE PARA PRESERVAR DE MUITOS PERIGOS

A quantas coisas se atreveriam os clérigos e religiosos se não fosse pelo hábito! Esta advertência, que era somente teórica quando a escrevia o exemplar religioso Pe. Eduardo F. Regatillo, S.I., é hoje uma terrível realidade. Primeiro, foram coisas de pouca monta: entrar em bares, lugares de recreio, diversão, conviver com os seculares, porém pouco a pouco se tem ido cada vez a mais. Os modernistas querem nos fazer crer que a batina é um obstáculo para que a mensagem de Cristo entre no mundo. Porém, suprimindo-a, desapareceram as credenciais e a mesma mensagem. De tal modo, que já muitos pensam que o primeiro que se deve salvar é o mesmo sacerdote que se despojou da batina supostamente para salvar os outros. Deve-se reconhecer que a batina fortalece a vocação e diminui as ocasiões de pecar para aquele que a veste e para os que o rodeiam. Dos milhares que abandonaram o sacerdócio depois do Concílio Vaticano II, praticamente nenhum abandonou a batina no dia anterior ao de ir embora: tinham-no feito muito antes.

5ª – AJUDA DESINTERESSADA AOS DEMAIS

O povo cristão vê no sacerdote o homem de Deus, que não busca seu bem particular se não o de seus paroquianos. O povo escancara as portas do coração para escutar o padre que é o mesmo para o pobre e para o poderoso. As portas das repartições, dos departamentos, dos escritórios, por mais altas que sejam, se abrem diante das batinas e dos hábitos religiosos. Quem nega a uma monja o pão que pede para seus pobres ou idosos? Tudo isto está tradicionalmente ligado a alguns hábitos. Este prestígio da batina se tem acumulado à base de tempo, de sacrifícios, de abnegação. E agora, se desprendem dela como se se tratasse de um estorvo?

6ª – IMPÕE A MODERAÇÃO NO VESTIR

A Igreja preservou sempre seus sacerdotes do vício de aparentar mais do que se é e da ostentação dando-lhes um hábito singelo em que não cabem os luxos. A batina é de uma peça (desde o pescoço até os pés), de uma cor (preta) e de uma forma (saco). Os arminhos e ornamentos ricos se deixam para o templo, pois essas distinções não adornam a pessoa se não o ministro de Deus para que dê realce às cerimônias sagradas da Igreja. Porém, vestindo-se à paisana, a vaidade persegue o sacerdote como a qualquer mortal: as marcas, qualidades do pano, dos tecidos, cores, etc. Já não está todo coberto e justificado pelo humilde hábito religioso. Ao se colocar no nível do mundo, este o sacudirá, à mercê de seus gostos e caprichos. Haverá de ir com a moda e sua voz já não se deixará ouvir como a do que clamava no deserto coberto pela veste do profeta vestido com pelos de camelo.

7ª – EXEMPLO DE OBEDIÊNCIA AO ESPÍRITO E LEGISLAÇÃO

Como alguém que tem parte no Santo Sacerdócio de Cristo, o sacerdote deve ser exemplo da humildade, da obediência e da abnegação do Salvador. A batina o ajuda a praticar a pobreza, a humildade no vestiário, a obediência à disciplina da Igreja e o desprezo das coisas do mundo. Vestindo a batina, dificilmente se esquecerá o sacerdote de seu importante papel e sua missão sagrada ou confundirá seu traje e sua vida com a do mundo. Estas sete excelências da batina poderão ser aumentadas com outras que venham à tua mente, leitor. Porém, sejam quais forem, a batina sempre será o símbolo inconfundível do sacerdócio, porque assim a Igreja, em sua imensa sabedoria, o dispôs e têm dado maravilhosos frutos através dos séculos.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Ato de Renovação das Promessas do Batismo para o primeiro dia do ano

 



Para o primeiro dia do ano

 

Creio em vós, meu Deus, Pai onipotente, Criador do céu e da terra, creio em Jesus Cristo, vosso Filho unigênito, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que morreu na cruz, para me salvar, que ao terceiro dia ressuscitou, subiu ao céu, onde está sentado à direita de vós, Deus Pai, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.

Creio no Espírito Santo, na santa Igreja católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, e na vida eterna.

Renuncio ao demônio, e com vossa graça, ó meu Deus, repelirei as suas tentações.

Renuncio às obras do demônio, aos pecados de pensamentos, palavras e obras.

Renuncio às suas pompas, aos espetáculos e divertimentos mundanos, ilícitos e perigosos.

Prometo, ó meu Deus, com o vosso auxílio, guardar vossos santos mandamentos, amar-vos de todo o coração sobre todas as coisas, e ao meu próximo como a mim mesmo, por amor de Vós.

E como conheço a minha fraqueza, peço-Vos, clementíssimo Senhor, que me ajudeis a cumprir esta minha promessa, e me concedais o dom da perseverança final no gozo de vossa graça.

Maria Santíssima, minha querida Mãe, anjo de minha guarda, santos meus protetores e advogados, intercedei por mim, afim de que eu persevere constantemente na graça de Deus até à morte.

Amen.

 

Orai – Manual Completo de Orações e Instruções Religiosas, Padre João Batista Rëus, 1934.


quinta-feira, 2 de novembro de 2023

O Casamento nos tira a liberdade?

 


Uma afirmação recorrente entre jovens secularistas é que "o casamento nos tira liberdades". Esta é uma típica frase de fachada para esconder uma verdade que o jovem mundano e displicente quer esconder: "o casamento não lhe tira liberdade alguma, apenas lhe exige responsabilidades". Responsabilidades que ele não quer assumir em nenhum âmbito de sua vida. 

A irresponsabilidade é um dos maiores problemas da juventude contemporânea. O ato fundamental de responder pelos próprios atos, o cerne da responsabilidade, difundiu, além da renuncia aos deveres que todo homem e toda mulher antes abraçavam com firmeza, o vitimismo característico de nossos tempos.

Todo jovem que foge as suas responsabilidade, curiosamente, tende a ser vitimista. Eis, portanto, uma das razões para a grande difusão de movimentos que fazem do vitimismo sua bandeira. A culpa é dos homens; a culpa é das mulheres; a culpa é dos ricos; a culpa é dos pobres; a culpa é da sociedade... A culpa é sempre do outro. Fingindo-se que não somos primariamente responsáveis por nossos atos e escolhas. 

Quando um jovem, desconsiderando sua irresponsabilidade inveterada, contrai vínculos matrimoniais, é muito provável que tal casamento seja carregado de tensões... Pois a felicidade de um casamento também depende da responsabilidade dos seus atores. Se ambos não assumem suas culpas, ambos transformarão aquele contrato numa mera troca de farpas e culpabilização alheia. 

Aqui se defronta portanto dois problemas: o jovem que recusa o caminho do matrimonio por não querer aceitar suas responsabilidades, e o que o abraça sem aceitar suas responsabilidades. Dois problemas com finais nada felizes. 

No entanto, ainda acredito que, seja preferível que, aqueles que não querem assumir as responsabilidades do matrimônio não se casem, do que estes se envolvam em algo tão sério, como o matrimônio, e comprometam com suas irresponsabilidades as suas vidas e de outras pessoas. Casamento não é para todos! 

sábado, 28 de outubro de 2023

Câmara dos Deputados aprova Dia Nacional do Rosário da Virgem Maria

 



Em um momento histórico para a fé católica no Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 4.943/2023 da Deputada Simone Marquetto (MDB/SP) que institui o Dia Nacional do Rosário da Virgem Maria a ser celebrado no dia 7 de outubro. 

"No Santo Rosário, o cristão medita os mistérios da vida de Jesus Cristo. É uma oração poderosa, que santifica as famílias, liberta os cativos e converte os corações. É com o Rosário que o nosso coração se acalma ao abrir uma corrente para o espírito e se conectar com o divino. O Rosário é “arma” espiritual na luta contra o mal, contra a violência, pela paz nos corações, nas famílias, na sociedade e no mundo. Que no dia 07 de outubro de cada ano, ao meio-dia, nós, católicos, possamos juntos fazer a oração do Rosário da Virgem Maria." (Trecho da Justificativa do Projeto)

terça-feira, 10 de outubro de 2023

Nossa Senhora: a comandante da Igreja


 

Ao analisarmos a história das grandes aparições marianas, uma estonteante demonstração do amor providencial de Deus se revela a nós.

Em 1517, a Cristandade era dilacerada pela terrível rebelião de Lutero. Algumas décadas depois, em 1531, no outro lado do oceano, uma aparição da Virgem arrastava toda uma nação a fé católica. Era a Virgem de Guadalupe vindo em socorro da Igreja em um de seus momentos mais dramáticos, quando a força dos homens falhava.

Em 1917, quando o comunismo iniciava sua destruidora incursão pelo mundo, no mesmo ano, a Virgem aparece em Portugal, conduzindo milhares de volta a fé, a penitencia, ao arrependimento.

Nos circunstâncias mais desesperadoras da Igreja, não é nenhuma surpresa vermos a Virgem surgir com sua assistência materna. Especialmente quando a humanidade parece não ter mais forças para lutar. Tendes confiança em Maria!

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

A bênção dos animais

 


Há uma tradição muito venerável na Igreja de abençoar os animais. Há todo um ritual para tais bênçãos, e até dias próprios. No geral, os dias nos quais tais bênçãos ocorrem são o dia 17 de janeiro (dia de Sto Antão) e 4 de outubro (dia de São Francisco de Assis). 

E este rito faz uma referência ao ato do próprio Criador, que criou todos os animais, e ao final de seu ato, "os abençoou: “Frutificai – disse ele – e multipli­cai-vos, e enchei as águas do mar, e que as aves se multipliquem sobre a terra”.

Nesta mesma inspiração, santos como São Francisco e Santo Antão nunca hesitaram em dar suas bênçãos aos animais... E iniciaram esta longa e bela tradição.


quinta-feira, 5 de outubro de 2023

Santidade Moderna

 


    É inegável que muitos católicos sentem um certo "desconforto" com a ideia de um santo trajando calça jeans ou boné, portando seu smartphone ou Iphone, ou passeando em um Shopping Center... Santidade e modernidade parecem algo levemente revestido de antagonismo. 

Há algum tempo, um livro intitulado "Santos de Calça Jeans", supostamente inspirado em discursos de João Paulo II, trouxe à tona essa questão. Embora o texto possua suas graves imperfeições, ele possui uma razão importante em seu cerne. 

Alguns elementos da contemporaneidade se tornaram irreversíveis em nossa vida. E um santo também é filho de seu tempo. Ainda que se tenha uma preferência pelo modelo tradicional de santo, que estão muito bem representados nas figuras de S. Francisco de Assis, Sta Teresa de Ávilla, Dom Bosco, São Bento, Sto Agostinho e Sto Atanásio... No entanto, imagine que Francisco de Assis, tivesse a ventura de ser filho de nossos tempos? Seria sacrílego pensar que ele portaria seu smartphone, como tantos de nossos jovens? Ou fosse ao cinema, ou ao shopping? Evidentemente, não.

No entanto, essa incapacidade em fazer uma leitura adequada da realidade, tem sido um entrave terrível no horizonte de tantos jovens católicos que compreendem o chamado comum à santidade. 

A princípio, importa dizer o que é um santo e dizer o que ele não é. Um santo, não é apenas um bom cristão, ele faz mais do que um bom cristão. Alguém não é elevado as honras dos altares apenas por ir à Missa todos os domingos, ser batizado, crismado, confessar-se regularmente e participar de algum movimento. Isso é o básico da vida de um bom católico. Um santo vai além, ele contrária a própria natureza, confronta o mundo pelo bem, por Deus... Um santo é alguém que pratica as virtudes que todo católico deve praticar de um modo heroico. Ele não apenas vai à missa as domingos e dias de guarda, mas aquele cuja vida eucarística nunca encerra. E estava disposto a ajoelhar diante do Senhor, até mesmo quando ninguém mais o fazia. Ele não era simplesmente o sujeito que se confessava regularmente, mas que levava tão a sério tal sacramento, que fazia dele a preparação para seu juízo particular. Não apenas era batizado, mas lutava com denodo para manter suas vestes batismais intactas. Não apenas recebeu a confirmação, mas confessava Cristo com sua vida, e lutava para viver continuamente em estado de graça até o dia de seu comparecimento perante o tribunal divino. Em um espírito de fé, esperança e caridade, extremados. O coração ardendo com tais virtudes, a ponto de ver o próprio Cristo unido a si. Só compreenderemos melhor isso com a vida dos santos. Seus atos, por vezes, beiram o inacreditável. 

No entanto, alguns elementos são comuns a todos eles: ódio mortal ao pecado, porque sabem que ele os afasta de seu amor. Amor ardente a Eucaristia. Compaixão para os que sofrem. Humildade profunda, sabendo que nada possuíam senão o que Deus lhes dera. E uma oração continua, porque sabiam que não importavam seus esforços, a perseverança só ocorreria por graça divina. Por isso tantas penitências, mortificações e piedade. Tal como um Francisco de Assis flagelando-se até o sangue. Ou um Padre Pio rezando cerca de 15 a 20 rosários por dia. Ou uma Sta Catarina de Siena, devotando cuidados sobre-humanos a uma enferma de quem ninguém suportava o mau cheiro das feridas e a aspereza do caráter. Ou humildes, como Vicente de Paulo, humilhado, e ainda feliz por participar dos sofrimentos de seu Senhor. Todos viam-se como miseráveis, e necessitados extremos do amor de Deus.

Todos estes extremos de santidade podem ser praticados em qualquer época. Porém, considerado, sabiamente, as circunstâncias. Ser um santo moderno não quer dizer um santo duvidoso, mas um santo que vive na realidade, não fora dela. Que não se reclusou do mundo, como um anjo puro e intocável. Mas que entendeu que, o mundo é o seu campo de apostolado, onde a luz de Cristo deve brilhar.  

Já não é possível fugir da configuração dos tempos. Se você tem internet, a use com vistas a um fim elevado; se vais ao Shopping, que este passeio seja para ti uma missão... Deus espalha em cada canto uma missão a desempenhar. O pedinte a sua porta; o carente da visão de Deus que em ti poderá contemplar a imagem da religião esquecida; o funcionário estressado que precisa de um sorriso encorajador e radiante; o desesperado que encontra em ti um sinal de esperança... Enfim, conforme as palavras de nosso inesquecível Papa Bento XVI, "O Senhor lhes tem concedido viver neste momento da história para que, graças à vossa fé, seu nome continue a ressoar por toda a terra". Não és filho destes tempos por acaso... 


ATO DE DESAGRAVO PARA OS DIAS DE CARNAVAL

  ATO DE DESAGRAVO PARA OS DIAS DE CARNAVAL (Se possível, diante do Ssmo. Sacramento exposto)     C oração dulcíss...