sexta-feira, 2 de agosto de 2019

O humilde Cura d'Ars





                Era uma sexta-feira de fevereiro de 1818, uma velha caleça abarrotada de móveis, com seu balançar sonoro seguia pela poeirenta estrada rumo a Ars. A certa altura do caminho, os viajantes sentem-se desorientados. Por graça de Deus, cruza o caminho dos viajantes um pastorzinho de 12 anos. Era Antoine Givré que providencialmente passava por lá naquele momento. O Pe. Vianney aproxima-se dele, e com seu jeito amável, conforme acrescenta a tradição, lhe propõe esta maravilhosa escolha: "Tu me mostras o caminho de Ars; e eu te mostrarei o caminho do céu". Antoine Givré prontamente cumpriu a promessa e o Padre Vianney a sua: mostrou o caminho do céu a Antoine e à toda Ars.


A pequenina Ars


 "Que pequenina é Ars!" foi o primeiro pensamento que veio a mente do padre Vianney - como acrescenta um de seus biógrafos - ao avistar aquele pequeno aglomerado de casinhas graciosamente agrupadas em torno da velha paróquia.
 Em Ars a fé desvanecia e o mundanismo se alastrava impetuosamente na vida de seus moradores. Um padre missionário que passou por aquela região, deixou ao Bispo está grave observação:
"Ensinar o catecismo às crianças é difícil, por causa de sua ignorância e incapacidade; a maior parte delas só tem a distingui-las dos animais o batismo".
Foi isto que o Pe. Vianney encontrou em Ars, um paganismo escancarado. "Deixai uma paróquia vinte anos sem um vigário, dizia o santo, e logo os animais passarão a ser adorados".  Ars já estava prestes a isto.
Um povo que ainda ia à Igreja por tradição familiar, mas no dia-a-dia vivia um ateísmo prático. Os costumes encontravam-se extremamente corrompidos; a frequência aos sacramentos era quase nula; os bailes e serões aos domingos eram o grande atrativo daquele povo.
Antes de ser enviado para Ars, haviam dado este conselho desafiador a Vianney: "Não há muito amor de Deus, nesta paróquia, terei vós, que o despertá-lo". Mas o que o Pe. Vianney encontrou foi a ausência de muito mais do que a caridade, faltava em Ars os elementos morais básicos de uma comunidade minimamente cristã. O santo teria muito que se sacrificar e sofrer por aquela paróquia. A começar, é claro, por despertar o amor naqueles corações endurecidos. E isto o fez prontamente, com a confiança de que ao ser despertado o amor, o resto viria em acréscimo. Despertada a incomensurável força do amor nos corações, dele faria o grande impulsor de seu apostolado.
Às noites passava largas horas ensaiando seus sermões, e no púlpito bradava com fúria divina contra a vida dissoluta de seus paroquianos. No silêncio, intensificava sua vida de penitência e oração. Nas primeiras noites deixou de lado a cama e passou a dormir no chão; privou-se dos prazeres do paladar, contentando-se com batatas cozidas, diminuiu as horas de sono, chegando a dormir três horas por noite, e submetia-se dia após dia as mais extremas mortificações.
"Meu Deus, concedei-me a conversão de minha paróquia, sujeito-me a sofrer o que quiserdes, durante toda a minha vida", tornara-se a sua oração constante.
       Lutou com denodo para extinguir as blasfêmias e a ignorância religiosa: "Este pecado (a ignorância religiosa), dizia ele, condenará mais almas do que todos os outros juntos".
Para vencê-la, intensificou a catequese junto aos moradores. Em pouco tempo, suas catequeses atraiam multidões que vinham até de outras cidades para ouvi-lo.
A ira de Deus, que como diz as Escrituras, se acendia contra toda impiedade (Rom 1, 18) nos lábios de Vianney. Contra os taberneiros vociferava com fúria divina... "Vós vereis arruinados todos aqueles que aqui abrirem tabernas". E de fato, todos os intentos dos taberneiros já não prosperava mais naquela cidade, estes se viram obrigados a procurar outra atividade. Era implacável o santo na reforma dos costumes.

A célebre luta para extinguir os bailes e as danças

Mas, um dos desafios que mais impunha resistência aos ardores daquele incansável cura eram os bailes! E o santo não cessava de bradar em seus sermões contra eles:
"As pessoas que entram num salão de baile - dizia cheio de santa indignação -, deixam à porta o seu Anjo da guarda e o demônio o substitui lá dentro, de modo que há tantos demônios em um baile quanto há dançantes".

Mandara esculpir como epigrafe em um oratório dedicado a S. João Batista a tão sucinta frase: "A sua cabeça foi o preço de uma dança".
Nesta luta, o santo usou de grande argúcia. Tratou de converter as moças - "sabia que não haveria bailes sem elas". Seus fervorosos sermões começaram a incutir um grande temor no coração das mulheres da comunidade e, estas, compungidas pelas candentes palavras do cura, logo abandonariam os bailes e a vida frívola e abraçariam a vida modesta na "Confraria do Rosário", fundada pelo santo.
A decepção dos jovens que frequentavam os bailes foi enorme quando lá chegaram e não encontraram as mulheres. O ódio destes mancebos fogosos logo se acendeu contra o cura, que acabou - literalmente - com suas festas. Mas, logo perceberam sua impotência diante de um santo, e sossegaram. E os bailes... Acabaram, enquanto a paróquia da cidade tornara-se tão atraente quanto eles. Lá estava Deus, a santidade de seu pároco assinalava sua divina presença, e não deixava margens a enganos. Entre um pedaço do paraíso que irradiava daquela paróquia ninguém o trocaria por qualquer prazer mundano.

Porém, o santo notando que muitos jovens sentiam desejo natural de se divertir, implantou na paróquia diversões saudáveis e puras, que ajudavam a mente e o corpo! "Diverti-vos, mas não pequeis", lembrava a máxima do santo educador da juventude: S. Filipe Neri.
O Santo conferiu as festas religiosas, um grande brilho. Com a ajuda de seu amigo, o conde de Garets, a festa de Corpus Christi adquiriu a pompa real que as cerimônias ao Rei do Universo evocam.
A mendacidade do povo estava sendo extirpada, os ímpios sossegaram por um tempo, mas o artífice de todo mal não. O bem que fazia às almas, atraiu a fúria do demônio, que via a cada dia seu reino sofrer duras derrotas.

O cura d'Ars e o demônio


O terror que incutia a santidade do Pe. Vianney nas potências infernais era tamanha que certa ocasião o demônio confessou pela boca de um possesso: "Se houvessem dois padres como o cura d'Ars no mundo, meu reino estaria perdido".

A partir do momento em que o Pe. Vianney, empenhou todas as suas forças para salvar até o ultimo de seus paroquianos, começou a padecer na carne a ira do inferno.

As noites na casa paroquial, a partir de 1823, nunca mais foram as mesmas. O Demônio passou a investir com toda a fúria contra o santo que lá habitava. Tudo começou em uma noite sinistra, quando o relógio marcava dez horas. O cura ouviu fortes batidas na porta da canônica (casa paroquial). Abriu a janela para ver quem era, mas não viu ninguém. O barulho cessou! Por algum tempo, mas recomeçou de forma até mais assustadora à meia noite. Os sinistros acontecimentos persistiram por algumas noites, O santo desceu a escada para saber quem batia, e novamente não havia ninguém. A cena se repetiria nas noites seguintes. O santo a princípio suspeitou de ladrões que tencionavam lhe roubar os ricos paramentos presenteados pelo conde de Garets. Redobrou então a segurança. Após transmitir o estranho ocorrido a seus paroquianos, imediatamente, bravos jovens se ofereceram à vigiar a casa paroquial. O primeiro a se oferecer foi o carpinteiro Andre Verchére, que por conseguinte, testemunhou as horripilantes manobras que o demônio orquestrava contra o cura. À noite, André Verchére, passou em vigília na casa paroquial junto ao cura para surpreender os supostos ladrões. Mas como nada aconteceu, recolheu-se à um quarto providenciado pelo cura. Por volta de uma da manhã, o carpinteiro foi surpreendido por violentas batidas na porta da sala. Imediatamente, Andre, empunhou a espingarda e esquivou-se na janela para surpreender os ladrões, mas, não viu nada. E o barulho continuou, menos forte, porém, mais assombroso. "Minhas pernas começaram a tremer, contou André, e eu fiquei aterrorizado uns oito dias". O cura D'Ars naquele momento veio até o rapaz com uma lâmpada e lhe fez a pergunta óbvia: "ouviu o barulho?", "sim, é claro!",  respondeu Verchére, completamente assustado.
Após aquela noite sinistra, o santo ainda convidou Verchére a passar mais uma noite na casa paroquial, mas o rapaz recusou com um bem humorado basta: "Senhor cura, para mim chega de sustos".
Mas os horrores não cessaram na casa paroquial, até o santo convencer-se de quem estava lhe roubando o sono. Aquele que era o mais prejudicado com suas orações e sacrifícios: o demônio.
A cada noite as ações do demônio contra o cura se intensificavam. Chegando, inclusive, a pôr fogo na casa canônica.


A fama de santidade

O cura d´Ars em vida gozava de tal fama de santidade que toda França acorria a pequena Ars para vê-lo. O sobrenatural tornou-se parcela de seu cotidiano. Acontecimentos extraordinários cercavam sua existência. Diziam que ele podia ler as consciências; que era temido pelo demônio; que levitava; que falava com Nossa Senhora, etc.
"A castidade brilhava em seu olhar", dizia uma testemunha da época. (cf. Arch. Secret. Vat. t. 3897, p. 304) Um advogado que visitara Ars para ver o padre Vianney voltava maravilhado para sua cidade contando a todos: "Vi Deus em um homem".Qual o segredo de tantos prodigios? O santo respondia com simplicidade: "O padre, antes de tudo, deve ser homem de oração" (Ibidem t. 227 p. 33)

Um dia, um pároco veio se lamentar-se ao Cura d'Ars do triste estado em que encontrava-se sua paróquia e das poucas conversões que nela aconteciam. "Já fiz de tudo", dizia o triste pároco.
Eis a resposta desafiadora do padre Vianney:
"Rezastes? Chorastes? Gemestes e suspirastes? Jejuastes? Fizestes vigílias? Dormistes no chão duro? Fizestes penitências corporais? Enquanto não fizestes isso, julgueis que não fizestes tudo". ( t. 227, p, 53)

O santo do confessionário

Em média, o santo passava 15 horas por dia no confessionário, começando pela extrema madrugada, pessoas passavam meses em Ars para confessarem-se com o cura d´Ars. Diante da dureza de um pecador empedernido, as lagrimas corriam rapidamente na face do cura, "Por que chorais?", perguntou um penitente de coração endurecido. "Oh, meu amigo, eu choro porque vós não chorais".

Este foi o grande santo de Ars, cujos feitos jamais poderiam ser contidos em livros. 

S. João Maria Vianney,
Rogai por nós!


sexta-feira, 26 de julho de 2019

O perigo da apostasia


Detalhe de Fallen Angel, de Alexandre Cabanel (1868)

                      O Catecismo da Igreja (1992) define a apostasia como “o repúdio total da fé cristã”. E não é qualquer repúdio, ou qualquer pessoa a repudiar, para considerarmos um flagrante caso de apostasia. Um repudio a fé só pode ser considerado apostasia quando feito por alguém que foi cristão e que o faz com a plena consciência de afrontar a fé. S. Pedro, ao falar desta espécie de corruptela espiritual, assim dizia: “Se depois de fugir às imundícies do mundo pelo conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo, e de novo seduzidos se deixam vencer por elas, o último estado se torna pior do que o primeiro. Assim, lhes fora não terem conhecido o caminho da justiça do que, após tê-lo conhecido, desviarem-se do santo mandamento que lhes foi confiado” (II Pedro 2, 20-21)
Ao percorrer as páginas biográficas da maioria dos inimigos da Igreja, nos deparamos com alguns momentos de suas vidas onde a fé era vivida com fervor. Assim o foram Marx, Nietzsche, Lutero, Henrique VIII, boa parte dos padres pedófilos e outros criminosos. 
O sórdido Henrique VIII, antes de apostatar, fora intrépido defensor da fé católica e do Papado, chegando inclusive a receber a insigne honraria de Defensor Fidei (Defensor da Fé) do Papa Leão V por conta de sua arguta defesa dos sete sacramentos contra as insinuações de Lutero em uma obra intitulada Assertio septem sacramentorum. Alguns anos depois, o monarca tornava-se o cruel perseguidor da Igreja e do Papado. O mesmo ocorrera com Robespierre, que narra-se que na adolescência fora fervoroso católico, e até considerou entrar para o seminário. O suprassumo do revolucionarismo moderno, Karl Marx na infância, fora cristão tão devoto que chegara a escrever um livro com conselhos de boa vivência cristã intitulado: “sobre a união dos fiéis com Cristo” Também se encontra uma fase de devoção cristã na vida de Nietzsche e Simone de Beauvoir. Esta última tinha a “Imitação de Cristo” como livro de cabeceira e teria desejado entrar para a vida religiosa.
Mas o que fizera estes homens e mulheres, de admirável devoção cristã, tornarem-se implacáveis inimigos da fé e da Igreja? A apostasia, é o nome que damos à esta reviravolta. Estes homens e mulheres esmoreceram em certo momento de suas vidas, e o pecado entrou em seus corações, lá deitando raízes profundas, e assim, cumprir-se em suas vidas o que advertira Nosso Senhor: "Quando um espírito impuro sai de um homem, passa por lugares áridos procurando descanso. Como não o encontra, diz: ‘voltarei para a casa de onde saí’, Chegando, encontra a casa desocupada, varrida e em ordem. Então vai e traz consigo outros sete espíritos piores do que ele, e entrando, passam a viver ali. E o estado final daquele homem, torna-se pior do que o primeiro. Assim acontecerá a esta geração perversa” (Mateus 12, 43-45) Nosso Senhor, diz que “o lugar estava desocupado”’, querendo dizer que, após nos libertarmos de um mal, devemos ocupar o seu lugar com o bem, do contrário, o mal voltará a se apossar daquele espaço, e de uma forma ainda mais intensa que da primeira. Por esta razão, Dificilmente um apostata volta atrás em seu caminho de desordens.



Mas há casos em que a razão da apostasia não foi exatamente um descuido na vida espiritual, mas uma revolta profunda à Igreja em face do mau exemplo de seus representantes. A este caso, podemos citar o Imperador Juliano, o apostata, cuja história fora marcada por uma grande tragédia protagonizada por um pretenso cristão. “Criança de seis anos, narra Bento XVI, Juliano assistira ao assassinato de seu pai, de seu irmão e de outros familiares pelas guardas do palácio imperial; essa brutalidade atribuiu-a ele ─ com razão ou sem ela ─ ao Imperador Constâncio, que se fazia passar por um grande cristão. Em consequência disso, a fé cristã acabou desacreditada a seus olhos, uma vez por todas”. 
A quantos a fé cristã não está desacreditada em razão da má conduta de seus membros? Como pedir à uma vítima de um membro desonesto da Igreja que confie no seu julgamento e na sua justiça? Em geral, tais pessoas, se veem entulhadas de traumas e sentimentos confusos e desordenados que fazem repelir de imediato qualquer referência à religião, tornando-se desta forma, ao mesmo tempo, apostata e vitima de outro apostata que, teoricamente, não repudiou publicamente a fé, mas o fez com seus atos. Há, portanto, apostatas públicos e outros velados, cujos atos não escondem o estado de apostasia em que se confinaram. Por esta razão, a apostasia não é um fenômeno a que todos estamos vulneráveis. Com o descuido de nossa vida espiritual, amanhã, podemos nos tornar o apostata que ontem condenávamos. Cabe não confiar demasiadamente em nossa força, pois ninguém sabe, além de Deus, até quando perseverará no caminho do bem, por isso cabe rezar e implorar a Deus diariamente a graça da perseverança final. Sem esta graça, ninguém permaneceria nem um minuto no caminho do bem.

domingo, 26 de maio de 2019

Porque os inimigos da Igreja amam o Padre Fábio de Melo






    
        Para agradar o mundo, basta uma coisa: não dizer a verdade! Em uma paráfrase famosa atribuída a Sto Tomas de Áquino, afirma-se, que “quem diz verdades, perde amizades”. A verdade é o grande divisor entre os discípulos de Cristo e os discípulos do mundo -- o mundo, que conforme disse nosso Senhor, “pertence ao demônio”, que é o pai da mentira (João 8, 44).
            E é a ausência deste elemento fundamental da pregação evangélica que tem feito o Padre Fábio de Melo cair nas graças do mundo anticristão e inimigo da verdade. Ao mesmo tempo em que indivíduos declaradamente anticatólicos vomitam seu ódio a fé e a religião, se desfazem em louvores ao referido sacerdote. “Ele fala do amor de Deus”, dizem, hipocritamente, alguns deles. A verdade é exatamente o contrário: Ele fala de tudo, menos do amor de Deus. Aliás, nem a palavra “Deus” ele tem pronunciado em suas redes sociais ─ de onde vem boa parte de suas bizarrices ─ para não desagradar aos que não creem. O segredo de seu bom trânsito entre inimigos públicos do cristianismo é simples: Ele acaricia consciências e segue a multidão. Está atento ao que o mundo segue para na primeira oportunidade tecer seus elogios, e ele está atento ao que o mundo odeia para se unir ao coro mundano em seus repúdios. As únicas críticas que Fábio de Melo sofre, vem exatamente de católicos fervorosos que sofrem as perseguições do mundo com o qual ele se alia. Fábio de Melo ignora que o mundo desprezou a Cristo, e esquece que “a amizade com o mundo é inimizade com Deus” (Tiago 4, 4)
            Por isso, Fábio de Melo tornou-se o padre preferido de quem odeia Cristo e a religião. E estes não hesitam em afirmar como uma das razões para esta simpatia  ─ pasmem ─, “a sua capacidade de transmitir o amor de Cristo”. Tal afirmação chega a ser, além de hilária, blasfema! Explico...
            Cristo nunca enganou o mundo e nunca iludiu consciências com uma linguagem açucarada. "A sua palavra não foi banal, gentil e simpática -- nos diz Joseph Ratzinger --, como quer nos fazer crer um falso romantismo sobre Jesus. Ela foi áspera e cortante, como o amor verdadeiro, que não se separa da verdade" [1]
        Jesus por vezes chegava a ser ríspido ao lidar até com seus apóstolos. A eles chamou diversas vezes de “tardos”, “tolos”, “insensatos”, e após sua ressurreição, aos discípulos de Emaús, chamou de “sem inteligência e lerdos” por não compreenderem as profecias que falavam a seu respeito.

            Jesus não se preocupou com os sentimentos de ninguém ao fazer sua pregação, mesmo que isso acarretasse em prejuízo a si mesmo, tal como aconteceu em seus embates com os fariseus. A estes, Jesus não poupou palavras. Os chamou de “raça de víboras”, “filhos do demônio” e outras coisas que cooperaram para a sua condenação... Sua pregação moral ia além da lei de Moisés. Aos adúlteros, disse que bastava um olhar para a pratica se consumar em seu coração. A outros disse: “Se tua mão te arrasta ao pecado, arranque-a, pois é melhor entrar no reino dos céus sem uma das mãos do que com as duas seres lançado no inferno. E esta última condição, o inferno, que os padres modernistas evitam de todas as formas em sua pregação, ou o deturpam brutalmente, foi uma das mais mencionadas por Nosso Senhor. Ao inferno apresentava como “o lugar onde o fogo não se apaga e o verme não morre” (Marco 9, 48) Diante de uma pregação como esta, regada de verdade e da verdadeira caridade, muitos diziam: “Duro é pois este discurso, quem o pode ouvir?” (Jo 6, 60) Palavras que o mundo nunca dirá da pregação de Fábio de Melo.    
            E essa rispidez com que Nosso Senhor apresentava o seu reino vinha do fato de,  ser Ele a própria verdade, e a verdade é ferina como faca de dois gumes, ela desafia, confronta, desfaz as blumas da ilusão que a mentira cria, destrói castelos de fantasia, e apresenta a realidade em suas devidas cores, mas... Ao final, nos garante a salvação. A mentira, por sua vez, ilude, acaricia, agrada, mas leva a perdição. O mundo, por essa razão, não ama a verdade, a repele, a despreza de todas as formas porque ama a mentira; crucifica e persegue os que a pregam e louva e coroa os que a escondem. Esta última condição é a de Fábio de Melo! Ele recebe os elogios do mundo; a simpatia dos maus... Porque acaricia suas consciências sombrias e lhes ilude com um falso cristianismo. Faz estes crerem que Jesus é um hippie com um eterno olhar condescendente; um sorriso de aprovação a tudo e um grito de “paz e amor” para sempre apaziguar os ânimos. E com esta distorção brutal de Nosso Senhor, toma a frente de uma nova religião, que tem do cristianismo apenas o nome. E se você ouve e leva a sério o que Padre Fábio de Melo diz, a primeira das razões para isso é que você não ama a verdade e gosta de ser enganada (o).      
           


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1. Joseph Ratzinger, Ser cristão na era neopagã. Vol. I, 1º Ed,  Ecclesiae, 2014, p. 84

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Porque todos devemos ser devotos de São José





           
            Se houve uma morte feliz, esta foi a de São José. Em seu leito de morte o assistiam Jesus e Maria. Há melhores acompanhantes na hora final do que estes? 

      Depois da Virgem Santíssima, a Igreja reconhece São José como o maior de todos os santos, e sua devoção torna-se particularmente necessária a todos os fiéis ─ especialmente, por sua condição de patrono da Igreja. O próprio Cristo lhe foi obediente, (cf. Lucas 2, 51) porque nós não haveremos de ser?


A morte de São José, Neilson Carlin

       Um testemunho especial  de devoção a São José nos vem de uma das grandes luminares da Igreja, a grande Sta Teresa de Ávilla, que no seu Livro da Vida nos narra as graças que alcançara através de sua devoção ao guardião da Sagrada Família. A grande santa carmelita após recorrer a diversos auxílios em momento de grande angústia, resolveu implorar o socorro de São José, e foi imediatamente respondida. “Não me recordo até agora ─ escreveu a Santa ─ de lhe ter suplicado coisa que tenha deixado de fazer. É coisa de espantar as grandes graças que Deus me tem feito por meio deste bem-aventurado Santo e dos perigos de que me tem livrado, tanto no corpo como na alma. A outros santos parece ter dado o Senhor graça para socorrerem numa necessidade; deste glorioso Santo tenho experiência que socorre em todas. O Senhor nos quer dar a entender que, assim como lhe foi sujeito na terra -- pois como tinha nome de pai, embora sendo aio, O podia mandar --, assim no Céu faz quanto Lhe pede” [1]. Dando continuidade a esta devoção na família carmelitana, outra grande santa da ordem, Teresinha de Lisieux, teceu belos louvores a São José. Em seus manuscritos autobiográficos a santa conta que todos os dias recitava a oração a São José, protetor das virgens, e conforme as suas próprias palavras: "por ele tinha uma devoção que se confundia com seu amor a Virgem Santíssima" [2].

Mas séculos antes destas grandes santas, outros gigantes da cristandade já teciam seus louvores ao pai putativo de Jesus. S. Bernardo, a seu respeito escreveu: "Há santos que tem o poder de nos socorrer em certas circunstâncias específicas, mas S. José tem o poder de socorrer em todas as necessidades e defender todos aqueles que recorrem a ele com piedosa disposição". E se queres um testemunho de santidade exuberante em tempos mais recentes que acontecia aos pés de S. José, é só voltar aos olhos ao grande taumaturgo de Montreal, Sto Andre Bessette, o santo que em vida foi testemunha de incontáveis milagres. E quando lhe imputavam o título de "grande milagreiro", simplesmente dizia que não fazia milagres, apenas pedia a São Jose, e ele atendia. Quando lhe pediam conselhos ou milagres, dizia apenas: "Ide a São José".

Com tantos testemunhos advindo dos mais ilustres nomes da cristandade o que nos falta para também confiar na poderosa intecerssão deste grande santo?  



               Para cuidar de Cristo e viver com Maria Santíssima, Deus  cumulou São José de bênçãos mais extraordinárias que as que se verificaram em qualquer outro santo. Nele os homens encontram um exemplar fiel da verdadeira masculinidade; os pais, da verdadeira paternidade; os maridos da verdadeira fidelidade, e os jovens, da verdadeira pureza. Foi ele que, como diz o papa Leão XIII, “guardou com sumo amor e continua vigilância a sua esposa e o filho divino; foi ele que proveu o seu sustento com o trabalho; ele que o afastou do perigo a que os expunha o ódio de um rei levando-o a salvo para fora da pátria, e nos desconfortos das viagens e nas dificuldades do exílio foi de Jesus e Maria companheiro inseparável, socorro e conforto” [3]  


Ite ad Joseph!


            Como o Velho Testamento nada mais é do que uma prefiguração do novo, a imagem de José do Egito é um antítipo da imagem de S. José, no livro do Gênesis lemos que o Faraó concedeu a José a guarda dos depósitos de trigo do Egito,  e quando a fome se agravou no mundo, “de toda a terra vinham gente ao Egito para comprar mantimentos”. E o Faraó lhes dizia: “Ide a José e fazei o que ele vos disser”.  (Gen 41, 55) Mas, o José do Novo Testamento guardava algo mais precioso que o trigo do Faraó. José guardava o pão da vida. Se o Faraó lhe confiara a guarda de seus bens temporais, Deus confiou a José a guarda de seu Filho, e posteriormente, de sua Igreja. Por estas e tantas razões, a figura de São José não pode ser dispensada para o católico -- ele, junto com sua castíssima esposa --, deve ser objetos da devoção de todo católico. Porque, dos homens, ele é o que está mais perto de Deus, e dos santos, o que está mais próximo dos homens.


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1. Livro da Vida, Cap. VI, 6
2. Manuscrito A, 158
3. Quamquam pluries

sacerdotes e intelectuais reconhecem Francisco como herege





                  Neste 1º de maio, 2 anos após os dubias dos cardeais e a "correção filial", ambas não respondidas pelo Papa, o Vaticano foi surpreendido com uma nova acusação de heresia a Francisco. Em Carta Aberta, 19 sacerdotes e intelectuais, acusam Francisco de heresia e pedem aos bispos que tomem medidas contra a grave situação criada por um papa herético. 

                 A carta é bem direta, e inicia com as seguintes palavras: 
"Nos dirigimos a vós por duas razões: primeiro, para acusar o Papa Francisco do delito canônico de heresia e, segundo, para pedi-los que tomem as medidas necessárias para tratar a grave situação de um papa herege”. 

             A carta aberta de 20 páginas lançado no site americano life site news apresenta  posições claramente heréticas do Papa sobre o matrimônio, recepção dos sacramentos, entre outras questões. Os autores ainda escrevem que Francisco não apenas negou verdades de fé com suas palavras, mas também com seus atos, ao "demonstrar, com seu agir, que não crê nessas verdades".
        O documento ainda informa que para que aconteça o delito canônico de heresia, “devem ocorrer duas coisas: a pessoa em questão deve duvidar ou negar, mediante palavras e/ou ações públicas, alguma verdade divinamente revelada da fé católica que deve ser crida com o consentimento de fé divina e católica; e esta dúvida ou negação deve ser pertinaz, ou seja, deve acontecer com o conhecimento de que a verdade que está sendo duvidada ou negada foi ensinada pela Igreja Católica como uma verdade divinamente revelada, a qual deve ser crida com o consentimento da fé; e a dúvida ou negação deve ser persistente”. E o Papa Francisco, segundo os autores da carta, atende a todos os requisitos de um herege contumaz.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

O mês de Maria





            A piedade dos fiéis consagrou o mês de maio à mais bela das flores do jardim de Deus: Maria. Por isso, Maio, para o católico, é um mês mais que especial, é “o mês da linda mãezinha” como dizia Padre Pio. Em tempos mais piedosos, este mês era marcado com exuberantes manifestações de devoção que se verificavam por toda parte, com mais intensidade nas paróquias e capelas, mas também nas escolas, hospitais e até presídios. Inclusive o Papa Paulo VI recordou em uma de suas encíclicas estes tempos de piedade que todos os homens do passado foram testemunhas: “Neste mês nós nos recordamos da alegria infantil com a qual, indo à escola, levávamos flores ao altar de Nossa Senhora; velas, cantos, orações e promessas davam alegre expressão à nossa devoção à Virgem Santíssima, que então nos aparecia como rainha da primavera, primavera da natureza e primavera das almas”. (Mense Maio, 1965)  A devoção à Nossa Senhora ditou por muitos séculos o ritmo da vida na maior parte do Ocidente. À hora do ângelus "todos" paravam reverentes em reflexão àquela hora sublime em que a humanidade, através do fiat de Maria, recebia o Salvador. Uma centelha desta devoção foi retratada na comovente tela de Millet, em que os camponeses interrompem a labuta na hora do ângelus para saudar a Virgem.

l'angelus (1859) Jean-François Millet, Paris, Museu D´Orsay

Mas, as contas do rosário cessaram nas últimas décadas, os sinos da piedade estão calados, as candeias da Virgem apagadas, o rosário deixou de ser símbolo de piedade para tornar-se acessório de moda -- o mesmo que aconteceu com o escapulário. Os floridos altares de nossa infância desapareceram, lobos vorazes extinguiram a devoção nos corações; muitos sacerdotes e religiosos tem pouca conta por Maria porque não pertencem a geração que a proclama bem-aventurada. 
Aquela terna piedade de Nossa infância se perdeu, piedade cantada e decantada em tantos versos piedosos de amor e devoção, e o resultado deste desprezo é aquela triste condição denunciada por S. Luís de Montfort em seu Tratado: “Maria Santíssima tem sido até agora desconhecida, e esta é uma das razões por que Jesus Cristo não é conhecido como deve ser” (Tratado da Verdadeira Devoção. n. 13)  

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Novidade Editorial: "A Anatomia do Conservadorismo"

  


                No dia 9 de março será lançado em versão eletrônica o livro "A Anatomia do Conservadorismo", que faz um Raio X do temperamento conservador, além de seu caráter meramente político e doutrinário, como, convencionalmente, se tem feito.

O conservadorismo, como o autor apresenta, "fixa-se numa filosofia do tempo que entrevê um elo indissociável entre passado, presente e futuro; onde um complementa o outro sem entrarem em conflitos e juntos fazem o fio condutor da história." Por certo, nesta afirmação se apresenta, não só, a essência do conservadorismo, mas a própria constituição do bom senso.  

O livro divide-se em 8 capítulos, onde todos convergem a uma conclusão um tanto quanto inesperada da personalidade conservadora. 

Embora a data de lançamento esteja marcado para 9 de março, ele já pode ser adquirido pelo Endereço Eletrônico da Amazon a preço super acessível.  

O humilde Cura d'Ars

                Era uma sexta-feira de fevereiro de 1818, uma velha caleça abarrotada de móveis, com seu balançar sonoro seguia pel...