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domingo, 26 de maio de 2019

Porque os inimigos da Igreja amam o Padre Fábio de Melo






    
        Para agradar o mundo, basta uma coisa: não dizer a verdade! Em uma paráfrase famosa atribuída a Sto Tomas de Áquino, afirma-se, que “quem diz verdades, perde amizades”. A verdade é o grande divisor entre os discípulos de Cristo e os discípulos do mundo -- o mundo, que conforme disse nosso Senhor, “pertence ao demônio”, que é o pai da mentira (João 8, 44).
            E é a ausência deste elemento fundamental da pregação evangélica que tem feito o Padre Fábio de Melo cair nas graças do mundo anticristão e inimigo da verdade. Ao mesmo tempo em que indivíduos declaradamente anticatólicos vomitam seu ódio a fé e a religião, se desfazem em louvores ao referido sacerdote. “Ele fala do amor de Deus”, dizem, hipocritamente, alguns deles. A verdade é exatamente o contrário: Ele fala de tudo, menos do amor de Deus. Aliás, nem a palavra “Deus” ele tem pronunciado em suas redes sociais ─ de onde vem boa parte de suas bizarrices ─ para não desagradar aos que não creem. O segredo de seu bom trânsito entre inimigos públicos do cristianismo é simples: Ele acaricia consciências e segue a multidão. Está atento ao que o mundo segue para na primeira oportunidade tecer seus elogios, e ele está atento ao que o mundo odeia para se unir ao coro mundano em seus repúdios. As únicas críticas que Fábio de Melo sofre, vem exatamente de católicos fervorosos que sofrem as perseguições do mundo com o qual ele se alia. Fábio de Melo ignora que o mundo desprezou a Cristo, e esquece que “a amizade com o mundo é inimizade com Deus” (Tiago 4, 4)
            Por isso, Fábio de Melo tornou-se o padre preferido de quem odeia Cristo e a religião. E estes não hesitam em afirmar como uma das razões para esta simpatia  ─ pasmem ─, “a sua capacidade de transmitir o amor de Cristo”. Tal afirmação chega a ser, além de hilária, blasfema! Explico...
            Cristo nunca enganou o mundo e nunca iludiu consciências com uma linguagem açucarada. "A sua palavra não foi banal, gentil e simpática -- nos diz Joseph Ratzinger --, como quer nos fazer crer um falso romantismo sobre Jesus. Ela foi áspera e cortante, como o amor verdadeiro, que não se separa da verdade" [1]
        Jesus por vezes chegava a ser ríspido ao lidar até com seus apóstolos. A eles chamou diversas vezes de “tardos”, “tolos”, “insensatos”, e após sua ressurreição, aos discípulos de Emaús, chamou de “sem inteligência e lerdos” por não compreenderem as profecias que falavam a seu respeito.

            Jesus não se preocupou com os sentimentos de ninguém ao fazer sua pregação, mesmo que isso acarretasse em prejuízo a si mesmo, tal como aconteceu em seus embates com os fariseus. A estes, Jesus não poupou palavras. Os chamou de “raça de víboras”, “filhos do demônio” e outras coisas que cooperaram para a sua condenação... Sua pregação moral ia além da lei de Moisés. Aos adúlteros, disse que bastava um olhar para a pratica se consumar em seu coração. A outros disse: “Se tua mão te arrasta ao pecado, arranque-a, pois é melhor entrar no reino dos céus sem uma das mãos do que com as duas seres lançado no inferno. E esta última condição, o inferno, que os padres modernistas evitam de todas as formas em sua pregação, ou o deturpam brutalmente, foi uma das mais mencionadas por Nosso Senhor. Ao inferno apresentava como “o lugar onde o fogo não se apaga e o verme não morre” (Marco 9, 48) Diante de uma pregação como esta, regada de verdade e da verdadeira caridade, muitos diziam: “Duro é pois este discurso, quem o pode ouvir?” (Jo 6, 60) Palavras que o mundo nunca dirá da pregação de Fábio de Melo.    
            E essa rispidez com que Nosso Senhor apresentava o seu reino vinha do fato de,  ser Ele a própria verdade, e a verdade é ferina como faca de dois gumes, ela desafia, confronta, desfaz as blumas da ilusão que a mentira cria, destrói castelos de fantasia, e apresenta a realidade em suas devidas cores, mas... Ao final, nos garante a salvação. A mentira, por sua vez, ilude, acaricia, agrada, mas leva a perdição. O mundo, por essa razão, não ama a verdade, a repele, a despreza de todas as formas porque ama a mentira; crucifica e persegue os que a pregam e louva e coroa os que a escondem. Esta última condição é a de Fábio de Melo! Ele recebe os elogios do mundo; a simpatia dos maus... Porque acaricia suas consciências sombrias e lhes ilude com um falso cristianismo. Faz estes crerem que Jesus é um hippie com um eterno olhar condescendente; um sorriso de aprovação a tudo e um grito de “paz e amor” para sempre apaziguar os ânimos. E com esta distorção brutal de Nosso Senhor, toma a frente de uma nova religião, que tem do cristianismo apenas o nome. E se você ouve e leva a sério o que Padre Fábio de Melo diz, a primeira das razões para isso é que você não ama a verdade e gosta de ser enganada (o).      
           


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1. Joseph Ratzinger, Ser cristão na era neopagã. Vol. I, 1º Ed,  Ecclesiae, 2014, p. 84

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Porque todos devemos ser devotos de São José





           
            Se houve uma morte feliz, esta foi a de São José. Em seu leito de morte o assistiam Jesus e Maria. Há melhores acompanhantes na hora final do que estes? 

      Depois da Virgem Santíssima, a Igreja reconhece São José como o maior de todos os santos, e sua devoção torna-se particularmente necessária a todos os fiéis ─ especialmente, por sua condição de patrono da Igreja. O próprio Cristo lhe foi obediente, (cf. Lucas 2, 51) porque nós não haveremos de ser?


A morte de São José, Neilson Carlin

       Um testemunho especial  de devoção a São José nos vem de uma das grandes luminares da Igreja, a grande Sta Teresa de Ávilla, que no seu Livro da Vida nos narra as graças que alcançara através de sua devoção ao guardião da Sagrada Família. A grande santa carmelita após recorrer a diversos auxílios em momento de grande angústia, resolveu implorar o socorro de São José, e foi imediatamente respondida. “Não me recordo até agora ─ escreveu a Santa ─ de lhe ter suplicado coisa que tenha deixado de fazer. É coisa de espantar as grandes graças que Deus me tem feito por meio deste bem-aventurado Santo e dos perigos de que me tem livrado, tanto no corpo como na alma. A outros santos parece ter dado o Senhor graça para socorrerem numa necessidade; deste glorioso Santo tenho experiência que socorre em todas. O Senhor nos quer dar a entender que, assim como lhe foi sujeito na terra -- pois como tinha nome de pai, embora sendo aio, O podia mandar --, assim no Céu faz quanto Lhe pede” [1]. Dando continuidade a esta devoção na família carmelitana, outra grande santa da ordem, Teresinha de Lisieux, teceu belos louvores a São José. Em seus manuscritos autobiográficos a santa conta que todos os dias recitava a oração a São José, protetor das virgens, e conforme as suas próprias palavras: "por ele tinha uma devoção que se confundia com seu amor a Virgem Santíssima" [2].

Mas séculos antes destas grandes santas, outros gigantes da cristandade já teciam seus louvores ao pai putativo de Jesus. S. Bernardo, a seu respeito escreveu: "Há santos que tem o poder de nos socorrer em certas circunstâncias específicas, mas S. José tem o poder de socorrer em todas as necessidades e defender todos aqueles que recorrem a ele com piedosa disposição". E se queres um testemunho de santidade exuberante em tempos mais recentes que acontecia aos pés de S. José, é só voltar aos olhos ao grande taumaturgo de Montreal, Sto Andre Bessette, o santo que em vida foi testemunha de incontáveis milagres. E quando lhe imputavam o título de "grande milagreiro", simplesmente dizia que não fazia milagres, apenas pedia a São Jose, e ele atendia. Quando lhe pediam conselhos ou milagres, dizia apenas: "Ide a São José".

Com tantos testemunhos advindo dos mais ilustres nomes da cristandade o que nos falta para também confiar na poderosa intecerssão deste grande santo?  



               Para cuidar de Cristo e viver com Maria Santíssima, Deus  cumulou São José de bênçãos mais extraordinárias que as que se verificaram em qualquer outro santo. Nele os homens encontram um exemplar fiel da verdadeira masculinidade; os pais, da verdadeira paternidade; os maridos da verdadeira fidelidade, e os jovens, da verdadeira pureza. Foi ele que, como diz o papa Leão XIII, “guardou com sumo amor e continua vigilância a sua esposa e o filho divino; foi ele que proveu o seu sustento com o trabalho; ele que o afastou do perigo a que os expunha o ódio de um rei levando-o a salvo para fora da pátria, e nos desconfortos das viagens e nas dificuldades do exílio foi de Jesus e Maria companheiro inseparável, socorro e conforto” [3]  


Ite ad Joseph!


            Como o Velho Testamento nada mais é do que uma prefiguração do novo, a imagem de José do Egito é um antítipo da imagem de S. José, no livro do Gênesis lemos que o Faraó concedeu a José a guarda dos depósitos de trigo do Egito,  e quando a fome se agravou no mundo, “de toda a terra vinham gente ao Egito para comprar mantimentos”. E o Faraó lhes dizia: “Ide a José e fazei o que ele vos disser”.  (Gen 41, 55) Mas, o José do Novo Testamento guardava algo mais precioso que o trigo do Faraó. José guardava o pão da vida. Se o Faraó lhe confiara a guarda de seus bens temporais, Deus confiou a José a guarda de seu Filho, e posteriormente, de sua Igreja. Por estas e tantas razões, a figura de São José não pode ser dispensada para o católico -- ele, junto com sua castíssima esposa --, deve ser objetos da devoção de todo católico. Porque, dos homens, ele é o que está mais perto de Deus, e dos santos, o que está mais próximo dos homens.


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1. Livro da Vida, Cap. VI, 6
2. Manuscrito A, 158
3. Quamquam pluries

sacerdotes e intelectuais reconhecem Francisco como herege





                  Neste 1º de maio, 2 anos após os dubias dos cardeais e a "correção filial", ambas não respondidas pelo Papa, o Vaticano foi surpreendido com uma nova acusação de heresia a Francisco. Em Carta Aberta, 19 sacerdotes e intelectuais, acusam Francisco de heresia e pedem aos bispos que tomem medidas contra a grave situação criada por um papa herético. 

                 A carta é bem direta, e inicia com as seguintes palavras: 
"Nos dirigimos a vós por duas razões: primeiro, para acusar o Papa Francisco do delito canônico de heresia e, segundo, para pedi-los que tomem as medidas necessárias para tratar a grave situação de um papa herege”. 

             A carta aberta de 20 páginas lançado no site americano life site news apresenta  posições claramente heréticas do Papa sobre o matrimônio, recepção dos sacramentos, entre outras questões. Os autores ainda escrevem que Francisco não apenas negou verdades de fé com suas palavras, mas também com seus atos, ao "demonstrar, com seu agir, que não crê nessas verdades".
        O documento ainda informa que para que aconteça o delito canônico de heresia, “devem ocorrer duas coisas: a pessoa em questão deve duvidar ou negar, mediante palavras e/ou ações públicas, alguma verdade divinamente revelada da fé católica que deve ser crida com o consentimento de fé divina e católica; e esta dúvida ou negação deve ser pertinaz, ou seja, deve acontecer com o conhecimento de que a verdade que está sendo duvidada ou negada foi ensinada pela Igreja Católica como uma verdade divinamente revelada, a qual deve ser crida com o consentimento da fé; e a dúvida ou negação deve ser persistente”. E o Papa Francisco, segundo os autores da carta, atende a todos os requisitos de um herege contumaz.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

O mês de Maria





            A piedade dos fiéis consagrou o mês de maio à mais bela das flores do jardim de Deus: Maria. Por isso, Maio, para o católico, é um mês mais que especial, é “o mês da linda mãezinha” como dizia Padre Pio. Em tempos mais piedosos, este mês era marcado com exuberantes manifestações de devoção que se verificavam por toda parte, com mais intensidade nas paróquias e capelas, mas também nas escolas, hospitais e até presídios. Inclusive o Papa Paulo VI recordou em uma de suas encíclicas estes tempos de piedade que todos os homens do passado foram testemunhas: “Neste mês nós nos recordamos da alegria infantil com a qual, indo à escola, levávamos flores ao altar de Nossa Senhora; velas, cantos, orações e promessas davam alegre expressão à nossa devoção à Virgem Santíssima, que então nos aparecia como rainha da primavera, primavera da natureza e primavera das almas”. (Mense Maio, 1965)  A devoção à Nossa Senhora ditou por muitos séculos o ritmo da vida na maior parte do Ocidente. À hora do ângelus "todos" paravam reverentes em reflexão àquela hora sublime em que a humanidade, através do fiat de Maria, recebia o Salvador. Uma centelha desta devoção foi retratada na comovente tela de Millet, em que os camponeses interrompem a labuta na hora do ângelus para saudar a Virgem.

l'angelus (1859) Jean-François Millet, Paris, Museu D´Orsay

Mas, as contas do rosário cessaram nas últimas décadas, os sinos da piedade estão calados, as candeias da Virgem apagadas, o rosário deixou de ser símbolo de piedade para tornar-se acessório de moda -- o mesmo que aconteceu com o escapulário. Os floridos altares de nossa infância desapareceram, lobos vorazes extinguiram a devoção nos corações; muitos sacerdotes e religiosos tem pouca conta por Maria porque não pertencem a geração que a proclama bem-aventurada. 
Aquela terna piedade de Nossa infância se perdeu, piedade cantada e decantada em tantos versos piedosos de amor e devoção, e o resultado deste desprezo é aquela triste condição denunciada por S. Luís de Montfort em seu Tratado: “Maria Santíssima tem sido até agora desconhecida, e esta é uma das razões por que Jesus Cristo não é conhecido como deve ser” (Tratado da Verdadeira Devoção. n. 13)  

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Novidade Editorial: "A Anatomia do Conservadorismo"

  


                No dia 9 de março será lançado em versão eletrônica o livro "A Anatomia do Conservadorismo", que faz um Raio X do temperamento conservador, além de seu caráter meramente político e doutrinário, como, convencionalmente, se tem feito.

O conservadorismo, como o autor apresenta, "fixa-se numa filosofia do tempo que entrevê um elo indissociável entre passado, presente e futuro; onde um complementa o outro sem entrarem em conflitos e juntos fazem o fio condutor da história." Por certo, nesta afirmação se apresenta, não só, a essência do conservadorismo, mas a própria constituição do bom senso.  

O livro divide-se em 8 capítulos, onde todos convergem a uma conclusão um tanto quanto inesperada da personalidade conservadora. 

Embora a data de lançamento esteja marcado para 9 de março, ele já pode ser adquirido pelo Endereço Eletrônico da Amazon a preço super acessível.  

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Uma importante lição de humildade





              Um dia, atravessando um pântano para ir à sua cela, o abade Macário encontrou o diabo empunhando uma foice de ceifeiro com a qual queria atingi-lo, mas não conseguia. Então lhe disse: “Macário, tu me faz mal, porque não posso vencê-lo. No entanto, tudo o que vós fazeis, eu também faço, vós jejuais, mas eu não como absolutamente nada; vós velais e eu nunca durmo. Há, porém, uma coisa em que vós me superais”. O abade perguntou: “Em quê?” O diabo respondeu: “Em humildade, pois é ela que faz com que eu nada possa contra vós”. 
(Jacopo de Varazze, Legenda Aurea: vidas de santos, Trad: Hilário Franco Junior. São Paulo: Companhia das Letras, p. 165).

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Porque sou católico



Por G. K Chesterton Trad: Erick Ferreira




                        Um artigo publicado recentemente em um jornal diário foi dedicado ao Novo Livro de Orações; sem, no entanto, ter nada de novo para falar sobre ele. Por isso, ele consistiu principalmente em repetir por novecentas e noventa e nove milésimas vezes que, o que o inglês comum quer é uma religião sem dogmas (seja lá o que isso queira dizer); e que as disputas sobre assuntos da Igreja eram ociosas e estéreis de ambos os lados. Ao lembrar-se repentinamente que essas equalizações de ambos os lados podem envolver alguma ligeira concessão ou consideração para o nosso lado, o escritor apressadamente se corrigiu. Então, passou a sugerir que, embora seja errado ser dogmático, é essencial ser dogmaticamente Protestante.
                        Ele sugeriu, ainda, que o inglês comum (esse caráter útil) estava bastante convencido, apesar de sua aversão a todas as diferenças religiosas, de que era vital para a religião continuar divergindo do catolicismo. Ele está convencido (nos disseram) que “a Grã-Bretanha é tão protestante quanto o mar é salgado”.
                        Olhando reverentemente para o profundo protestantismo do sr. Michael Arlen ou do sr. Noel Coward, ou a mais recente dança de jazz em Mayfair, poderíamos ser tentados a perguntar: Se o sal perder seu sabor, com que ele será salgado? Mas, como podemos deduzir corretamente desta passagem que o sr. Lord Beaverbrook, o Sr. James Douglas e o Sr. Hannen Swaffer, e todos os seus seguidores, são realmente protestantes severos e inflexíveis (e como sabemos que os protestantes são famosos pelo estudo detalhado e apaixonado das Sagradas Escrituras, sem restrições por parte do Papa ou dos sacerdotes), poderíamos até tomar a liberdade de interpretar o ditado à luz de um texto menos familiar. É possível que ao comparar o Protestantismo com o sal do mar, eles fossem assombrados com alguma lembrança de outra passagem, na qual a mesma autoridade falava de uma fonte única e sagrada de água viva – porque era água vivificante – que realmente sacia a sede dos homens; enquanto todos os outros poços e charcos se distinguiam dela pelo fato de que aqueles que deles bebem terão sede outra vez. É uma coisa que acontece ocasionalmente às pessoas que preferem beber água salgada.
                        Essa talvez seja uma maneira um tanto provocadora para iniciar a declaração de minha mais forte convicção; mas eu, respeitosamente, alegaria que a provocação veio do protestante. Quando o protestantismo afirma calmamente que governa todas as almas no mesmo tom em que a Britânia governa todos os mares, é admissível replicar que a própria quintessência desse sal pode ser encontrada mais espessa na estagnação do Mar Morto. Mas é ainda mais admissível replicar que o protestantismo está reivindicando o que nenhuma religião neste momento pode possivelmente reivindicar. É calmamente reivindicado a fidelidade de milhões de ateus, pagãos hedonistas, místicos independentes, investigadores psíquicos, teístas, teosofistas, seguidores de cultos orientais e alegres companheiros que vivem como os animais que perecem. Pretender que todos estes sejam protestantes, acaba por diminuir consideravelmente o prestígio e significado do protestantismo, o tornando meramente negativo; e o sal não é negativo!
                        Tomando isto como um texto e um teste para o problema presente que é a escolha religiosa, nos encontramos, a princípio, diante de um dilema sobre a religião tradicional de nossos pais. O protestantismo aqui mencionado é uma coisa negativa ou positiva! Se o protestantismo é uma coisa positiva, não há dúvida alguma de que ele está morto. Na medida em que era realmente um conjunto de crenças espirituais, ele não é mais acreditado. O genuíno credo protestante é, agora, mal conservado por mais ninguém – menos ainda pelos próprios protestantes. Eles perderam completamente a fé que eles tinham nele, de modo que, até esqueceram o que ele foi. Se qualquer homem moderno for interrogado se salvamos nossas almas unicamente através de nossa teologia, ou se fazer o bem (para os pobres, por exemplo) nos ajudará no caminho para Deus, ele responderia sem hesitação que as boas obras são provavelmente mais agradáveis a Deus do que a teologia. Provavelmente seria uma surpresa para ele saber que, por trezentos anos, a fé unicamente na fé foi o emblema de um protestante, e a fé nas boas obras o emblema, um tanto vergonhoso, de um infame papista.
                        O inglês comum (para trazer nosso velho amigo aqui mais uma vez) não teria dúvida alguma sobre os méritos da longa disputa entre o catolicismo e o calvinismo. E essa foi a discussão mais importante e intelectual entre o catolicismo e o protestantismo. Se ele acredita em um Deus, ou mesmo que não acredite, ele certamente preferiria um Deus que fez todos os homens para a alegria, e que deseja salvar a todos, a um Deus que deliberadamente fez alguns para o pecado involuntário e para a miséria imortal. Mas essa era a discussão; e era o católico que conservava a primeira posição e o protestante conservava a segunda.
                        O homem moderno não só não compartilha, nem mesmo compreende, a aversão anormal dos puritanos a toda arte e beleza em relação à religião. Mas esse era o verdadeiro protesto do protestante; e as matronas protestantes, de meados da época vitoriana, ficavam menos chocadas com um vestido branco, e muito menos com uma vestimenta colorida. Em praticamente todas as questões essenciais sobre as quais a Reforma realmente colocou Roma no banco dos réus, Roma foi desde então absolvida pelos jurados do mundo inteiro.
                        É perfeitamente verdade que podemos encontrar verdadeiros erros provocando rebelião na Igreja de Roma pouco antes da Reforma. O que não podemos encontrar é um desses verdadeiros erros que a Reforma reformou. Por exemplo, era um abuso abominável que a corrupção dos mosteiros às vezes permitia a um nobre rico desempenhar o papel de patrono e até mesmo de Abade, ou mesmo se apoderar das receitas que deveriam pertencer a uma fraternidade de pobreza e caridade. Mas tudo o que a Reforma fez foi permitir que o mesmo nobre rico se apoderasse de toda a renda; de toda a casa e a transformasse em um palácio ou em uma pocilga e acabasse com a última lenda da pobre fraternidade. As piores coisas no catolicismo mundano foram agravadas pelo protestantismo. Mas as melhores coisas permaneceram de alguma forma durante a época da corrupção; e elas sobreviveram mesmo na época da reforma. Elas sobrevivem hoje em dia em todos os países católicos, não só na cor, poesia e popularidade da religião, mas nas lições mais profundas da psicologia prática. E elas foram completamente justificadas após o julgamento de quatro séculos, que cada um deles está agora a ser copiado, mesmo por aqueles que a condenaram; só que muitas vezes de forma caricaturada.
                        A psicanálise é o confessionário sem a salvaguarda do confessionário; o comunismo é o movimento franciscano sem o equilíbrio moderador da Igreja; e as seitas americanas, depois de uivar durante três séculos com a teatralidade papal e o mero apelo aos sentidos, agora “iluminam” as suas liturgias através de filmes super-teatrais, e raios de luzes rosa-avermelhados que caem sobre a cabeça do ministro. Se tivéssemos um raio de luz para projetar, não devíamos projetá-lo sobre o ministro. Em seguida, o protestantismo pode ser uma coisa negativa. Em outras palavras, pode ser uma lista nova e totalmente diferente de acusações contra Roma; e apenas em continuidade porque ainda está contra Roma. Isso é muito amplamente o que é; e isso é presumivelmente o que o DAILY EXPRESS significou realmente, quando disse que nosso país e nossos compatriotas estão embebidos no protestantismo como no sal. Em outras palavras, a lenda de que Roma está errada de qualquer maneira, ainda é uma coisa viva, embora todas as características do monstro estejam agora
inteiramente alteradas na caricatura. Mesmo isso é um exagero, como aplicado à Inglaterra de hoje; mas ainda há uma verdade nele. Somente a verdade, quando verdadeiramente realizada, dificilmente pode ser muito satisfatória para os protestantes honestos e genuínos. Afinal, que tipo de tradição é essa, que conta uma história diferente a cada dia ou a cada década, e está contente enquanto todas as histórias contraditórias são contadas contra um homem ou uma instituição? Que espécie de causa sagrada é esta herdada de nossos antepassados, na qual, devemos continuar odiando algo e ser consistentes somente nesse ódio; sendo inconstante e falso em tudo o mais, mesmo em nossa razão para odiá-lo? Será que vamos nos estabelecer seriamente para criar um novo conjunto de histórias contra a maioria dos nossos irmãos cristãos? É esse protestantismo; e vale a pena compará-lo com o patriotismo ou o mar? De qualquer modo, aquela era a situação que eu me encontrei enfrentando quando eu comecei a pensar nessas coisas; filho de um protestante de ascendência pura ou, no sentido comum, vindo de uma casa protestante. Mas, de fato, minha família, tendo se tornado liberal, já não era protestante. Fui criado como uma espécie de universalista e unitarista; aos pés daquele admirável homem, Stopford Brooke. Não foi o Protestantismo salvo em um sentido muito negativo.
                        Muitas vezes era o plano contrário ao protestantismo, mesmo nesse sentido. Por exemplo, o universalista não acreditava no inferno; e era enfático em dizer que o céu era um estado de espírito feliz – “um temperamento”. Mas ele tinha o senso de ver que a maioria dos homens não vive ou morre em um estado de espírito tão feliz que sozinho os garanta um céu. Se o céu é um temperamento, certamente não é um temperamento universal; e muitas pessoas passam por esta vida com um temperamento dos diabos. Se todos estes fossem ter o céu, unicamente através da felicidade, parecia claro que algo lhes devia acontecer primeiro. O universalista, portanto, acreditava em um progresso após a morte, ao mesmo tempo, punição e iluminação.

                        Em outras palavras, ele acreditava no Purgatório; embora não acreditasse no inferno. Certo ou errado, ele obviamente e claramente contradisse o Protestante, que acreditava no Inferno, mas não no Purgatório. O protestantismo, em toda a sua história, travou uma guerra incessante contra essa única ideia de Purgatório ou Progresso além do túmulo. Cheguei a ver, na visão católica completa, verdades muito mais profundas sobre as três ideias; verdades relativas à vontade e à criação e ao amor mais glorioso de Deus pela liberdade. Mas mesmo no início, embora eu não tivesse pensado no catolicismo, não conseguia ver por que eu deveria ter qualquer preocupação com o protestantismo; que sempre dissera o oposto do que um liberal já deve dizer. Encontrei, em palavras simples, que não havia mais nenhuma questão para se apegar à fé protestante. Era simplesmente uma questão de se eu me agarrar à disputa protestante. E, para meu enorme espanto, encontrei um grande número de meus liberais, ansiosos por prosseguir com a disputa protestante, embora já não tivessem a fé protestante. Não tenho título para julgá-los; mas para mim, confesso, pareceu-me uma falta de honra bastante feia.
                        Para descobrir que você tem difamado alguém sobre alguma coisa, se recusar a pedir desculpas, e inventar uma outra história mais plausível contra ele, para que você possa continuar o espírito da calúnia, me pareceu no início uma forma bastante pobre de se comportar. Resolvi, pelo menos, considerar a instituição caluniada original em seus méritos próprios e a primeira e mais óbvia questão foi: “Por que os liberais eram tão anti-liberais? Qual era o significado da disputa, tão constante e tão inconsistente?” Essa pergunta me levou muito tempo para responder e agora demoraria muito mais tempo para gravá-la.
                        Mas finalmente me levou à única resposta lógica, que cada fato da vida agora confirma; que o objeto é odiado, como nada é odiado, simplesmente porque é, – no sentido exato da frase popular –, como nada na terra.
                        Há pouco espaço aqui para indicar esta única coisa fora das milhares de coisas que confirmam o mesmo fato e confirmam os outros. Eu me comprometo a pegar qualquer tópico ao acaso, da costeleta de porco à pirotecnia, e mostrar que ela ilustra a verdade da única filosofia verdadeira; tão realista é a observação de que todos os caminhos levam à Roma. Fora de tudo isso, aqui tenho tomado apenas um fato; que a coisa é perseguida, época após época, por um ódio irracional que está perpetuamente mudando sua razão. Agora, de quase todas as heresias mortas, pode-se dizer que elas não estão apenas mortas, mas condenadas; ou seja, elas são condenadas ou condenados pelo senso comum, mesmo fora da Igreja, quando uma vez o humor e a mania delas está ultrapassado.
                        Ninguém agora quer ressuscitar o Direito Divino dos Reis que os primeiros anglicanos lançaram contra o Papa; ninguém agora quer reviver o Calvinismo que os primeiros puritanos lançaram contra o Rei. Ninguém agora está arrependido que os Iconoclastas foram impedidos de esmagar todas as esculturas da Itália. Ninguém agora está arrependido de que os jansenistas não conseguiram destruir todos os dramas da França. Ninguém, ainda que nada saiba sobre os albigenses, lamenta que eles não converteram o mundo em pessimismo e perversão. Ninguém que entenda realmente a lógica dos Lollards (um grupo muito mais simpático) realmente deseja que eles tivessem conseguido tirar todos os direitos e privilégios políticos de todos que não estavam em estado de graça.
                        O “Império fundado na Graça” era um ideal devoto, mas considerado como um plano para desconsiderar a polícia irlandesa controlando o trânsito em Piccadilly, até que tenhamos descoberto se ele confessou recentemente a seu padre irlandês, está faltando na realidade… Contra os hereges que às vezes eram muito como loucos.
                        No entanto, em cada momento separado, a pressão do erro predominante era muito forte; o erro exagerado de toda uma geração, como a força da Escola de Manchester nos anos cinquenta, ou do Socialismo Fabiano como uma moda em minha própria juventude.
                        Um estudo dos casos históricos verdadeiros comumente nos mostra o espírito da época vai mal, e os católicos pelo menos relativamente seguem para a direita. É uma mente que sobrevive a cem modos.
                        Como eu disse, este é apenas um aspecto; mas foi o primeiro que me afetou e levou aos outros. Quando um martelo acerta um prego direto na cabeça umas centenas de vezes, chega um momento em que pensamos que não foi algo completamente acidental. Mas essas provas históricas não seriam nada sem as provas humanas e pessoais, que precisariam de uma descrição bastante diferente. Basta dizer que aqueles que conhecem a prática católica acham não somente correto, mas sempre correto quando tudo o mais está errado; tornando o confessionário o trono das franquezas onde o mundo lá fora diz absurdos sobre isso como uma espécie de conspiração; sustentando a humildade quando todo mundo está louvando o orgulho; acusado de caridade sentimental quando o mundo está falando de um utilitarismo brutal; carregado de dureza dogmática quando o mundo está alto e solto com o sentimentalismo vulgar – como é hoje. No lugar onde as estradas se encontram não há dúvida da convergência.
                        Um homem pode pensar todos os tipos de coisas, a maioria delas honestas e muitas delas verdadeiras, sobre o caminho correto para virar no labirinto em Hampton Court. Mas ele não pensa que ele está no centro; ele sabe.

ATO DE DESAGRAVO PARA OS DIAS DE CARNAVAL

  ATO DE DESAGRAVO PARA OS DIAS DE CARNAVAL (Se possível, diante do Ssmo. Sacramento exposto)     C oração dulcíss...