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domingo, 13 de setembro de 2015

A Primavera da Vida: Uma Palavra Amiga aos Jovens




 Dizem que a primavera é a mais bela das estações e que a beleza que nela irradia não contemplamos igual em outras estações. Ela enche os campos de flores; dá brilho e majestade aos céus, enche os mares de vida. 

Por assemelharem esta estação com a juventude, chamam-na os poetas de "primavera da vida", por nela contemplarem uma fecundidade e um brilho singular; um brilho que raramente se reproduz com o mesmo fulgor em outras fases da vida...

Na juventude tudo é novo... E o novo sempre é surpreendente. 

A vida floresce e no peito aflora também o perigoso impeto das paixões, que turva a visão. 

Ante o amplo horizonte que se desfrauda majestosamente, um insinuante grito de liberdade ecoa do coração do jovem, louco por desbravar este mar de novidades que se apresenta. 

És jovem, e queres a felicidade... Mas a indecisão te tomara o coração constantemente... É necessário tomar uma posição... Não podes ficar indeciso... 

Então a inconfundível voz de Deus se apresentará a ti, de muitos modos, com sua proposta inescusável:

"Ponho diante de ti a vida e o bem, e doutra parte, a morte e o mal [...] escolhe pois a vida, para que vivas..." (Deut 30, 15. 19).

Porém, também, haverá um grito de rebelião, insinuante, vindo do mundo; do demônio; da carne decaída, te convidando a exceder os limites demarcados por Deus... E repetir o grito que irrompe das profundezas infernais: "Non serviam" (Jer 2, 20), 

Há uma estoria que traduz muito bem a condição de muitos jovens que se veem divididos entre o bem e o mal.

Conta-se que certa ocasião um jovem teve um sonho, e viu duas multidões separadas por um grande muro... E sobre o muro estava ele.
De um lado, estava a Divina Majestade e toda a côrte celeste, que fazia pedidos insistentes para que o jovem descesse do muro e viesse para o lado de Deus. 
Do outro lado do muro, estava satanás e seus sequazes... Porém, em silêncio olhando para o jovem... 
O silêncio de satanás chamou a atenção do jovem. E resolveu perguntar porquê ele estava calado enquanto Deus insistia tanto para que ele descesse do muro e viesse para o seu lado? 
Satanás respondeu de forma breve e clara:
"Porque o muro me pertence!".

Estas duas multidões estão diante de ti: Deus e toda a corte celeste... E de outro lado, satanás, seus demônios e seus muitos asseclas mundanos... Não podes ficar em cima do muro, pois o muro já é uma escolha!

É nesta atmosfera bélica, onde um campo de batalha se ergue em teu coração, que terás está interrogação na alma: "A quem queres servir?" (Jos 24, 15). Não poderás ficar indiferente a esta pergunta, que te inquietará a vida inteira! Não poderás permanecer alheio a estes apelos que vem desses dois lados do muro... De Deus e do demônio... 

A primavera da vida

Há uma grande questão que rege a estação das flores: se a primavera não for bela, o verão passará sem colheitas... 

Se a primavera da tua vida não for vivida com pureza, teu futuro será esteril. Se o terreno do teu coração não for bem cultivado para receber as flores da virtude, ele se encherá das ervas daninhas do vício. 

Não podes esquivar-te da escolha entre o bem e o mal, pois ela sempre estará diante de ti.

E no caminho do mal, quando se dá o primeiro passo, será difícil não dar o segundo, o terceiro, e o último e definitivo, que te precipitará eternamente em seus abismos. E lá permanecerá até o fim, conforme, alerta as escrituras:

"O jovem mesmo ao envelhecer, não se afastará do caminho trilhado na juventude" -- Adolescens iuxta viam suam etiam cum senuerit non recedet ab ea - (Prov 22, 6).

A beleza da juventude está na pureza com que é vivida. Se, no entanto, cedes aos instintos bestiais que começam a aflorar neste "corpo de morte", estás sujeito a ruína!

Que radiante é a primavera!

Nesta idade critica, muitos atrativos surgirão. Mas não se engane com a superficie colorida com que a impureza se apresentará. Por baixo dela esconde-se um tenebroso pântano. E não se engane com a austera aparência da castidade... Por baixo dela se esconde o paraíso. 

Quantos atraídos pela festiva aparência com que a impureza se apresentava inicialmente, hoje atormentam-se com sua horrenda face... O jardim superficialmente florido, tornou-se pântano escuro e lodoso; aquela fachada luminosa e alegre caiu, restando as tristes ruínas de um castelo sombrio e sordido. 

E agora, às escuras, confrontando a verdadeira face da impureza, vem o sentimento nostalgico daquelas aureas moradas de esplendor real, daquela paz interior que um dia repousou em seus corações e foi perdida pela sordidez do vício.

Não é este o tormento que acomete a tantos jovens nas macas de hospitais, nos cárceres, na invalidez, vítimas da impureza?

A impureza "sempre" se apresentará a ti atraente, mas destrutiva. Quantas vidas não foram  destruídas por ela?

A pureza, porém, apresentar-se-a a ti modesta, mas santificante. Vêde a beleza e integridade que ela irradia nos rostos e carateres juvenis! Beleza e integridade que a impureza não pode oferecer.

A impureza destrói a vontade, transforma os bons em maus... Vêde Henrique VIII, rei da Inglaterra, que de defensor da Igreja tornou-se seu implacável perseguidor. Quem foi o autor de tal transformação? A impureza...

O que serás amanhã, depende muito da pureza de vida que levas hoje... Se começastes a enveredar pelo caminho da impureza, é questão de tempo para te transformar em um fascinora inimigo de Deus... E o impuro não consegue ser bom por muito tempo... Uma hora ou outra o vício triumfa...

A impureza é a grande algoz da juventude

A juventude é mole como a cera para inclinar-se ao vício, dizia Horácio (cf Horat. Art Poet., v. 163), e tu, jovem... Que te deparas por todos os lados com os insistentes apelos do mundo com seus atrativos fugazes, querendo te introduzir em seus caminhos sordidos; Tu, por seres altamente impressionável, deixa te levar facilmente por estes atrativos, mesmo que sejam enganosos e destrutivos... 

Tudo que cheira a aventura encanta os corações juvenis... Porém, quantos não se perderam nesta busca insana de aventura? Quantos, hoje, amargam seus irreparaveis estragos? Jovens, como tu, que em busca de liberdade, hoje se vêem chafurdados na triste escravidão dos vícios, e lamentam-se amargamente pelo que perderam. A Liberdade interior.



Bem-aventurado Pier Giorgio Frasatti, escalando montanha


Acima desta atmosfera triste e degradante, se eleva uma condição mais sublime, a vida pura, onde almas heróicas se lançam qual chamas para o alto, verso l'alto... Como o lema de vida de Pier Giorgio Frassatti, um jovem de carater, que com ânimo varonil venceu o mundo  lançando-se para o alto... 
Em sua lápide se encontra lavrado a tradução mais fiel de sua existência... "Descansa dignamente entre os anjos". Interroga-te se tua sepultura será digna de semelhante epitáfio. 

Lembra-te do coração florido, da paz da consciência pura, de Deus, de seus santos, de seus anjos, da Virgem puríssima.... E esquece o demônio e seus asseclas mundanos. 

Embora o mal tende a ser mais insinuante, há sempre o grito encorajador de Deus: "Jovem, sê forte!".

Um coração inquieto

O jovem, como todo ser humano, vive inquieto porque foi criado para Deus, e seu coração estará inquieto enquanto não repousar n'Ele - Fecisti nos, Domine, ad Te, et inquietum es cor nostrum  donec requiescat in te. (Sto Agostinho. Confissões. 1, 1). 

Nunca irás te conformar com este mundo que passa, nem com sua falsa esperança.

Tudo isso não pode satisfazer teu coração que anseia pelo infinito. Fostes feito para a eternidade, para as coisas do alto (Col 3, 1-3), sê como a águia, que se renova e se eleva para o alto, não sejas como o porco chafurdado na lama, e incapaz de elevar os olhos ao céu...

Só a verdade satisfaz o coração! 

Este desejo de liberdade que arde no coração humano, precisa de verdade para se mover. Sem a verdade, a liberdade move-se as cegas e não chega a lugar nenhum. "Sem o conhecimento da verdade, a liberdade desvirtua-se de seu fim", ensina Bento XVI.

Cristo abriu o verdadeiro caminho da liberdade.
A liberdade que o mundo oferece nada mais é que escravidão. Vede quantas vítimas desta falsa liberdade encontras por toda parte!

Só é livre quem ama, quem é puro, quem é integro...
A liberdade interior é uma exigência da alma que não pode ser calada...
O homem move-se espontanemete quando encontra algo que o atraí e sucita desejo. 
"E o que pode a alma desejar mais ardentemente do que a verdade?" (cf. Sto Agostinho. In Iohannis Evangelium Tractatus, 26, 5), questiona o doctor maximus e completa o doctor angélico: "É com efeito, natural ao homem  aspirar ao conhecimento da verdade" (cf. Sto Tomás de Áquino. De malo, IX, 1)

Esta busca interior só é satisfeita quando se encontra com aquele que é "Caminho, Verdade e Vida" (Jo 14, 6)

Caro, Jovem, em nenhum lugar encontrará repouso para teu coração inquieto, senão em Cristo, "Podes procurar tudo longe dele, mas sempre encontrará somente o nada...". 

"Porque nada existe senão n'Ele e para Ele" (Col 1, 16)


quarta-feira, 9 de setembro de 2015

A Missa do 'Intróibo'



Este é um belíssimo relato de uma conversão que foi postado originalmente no blog Mulher Católica e que alegremente republicamos aqui. 
O texto original foi adaptado e recebeu algumas correções, sem sair da fidelidade aos fatos narrados.



                                     *

                                 *      *


Um sacerdote xaveriano, recém ordenado, foi enviado à Amazônia brasileira para desempenhar sua missão sacerdotal. 
O vasto campo de missão do neo-sacerdote compreendia algumas areas de reserva indigena, onde diversas tribos ficavam anos sem a visita de um padre.

Durante uma visita a uma dessas aldeias que passava anos sem Missa. O sacerdote se confrontou com um surpreendente dialogo com o velho Cacique da tribo, após dizer a Missa conforme o novo rito.

O cacique, aproximou-se do neo sacerdote e afirmou com muita segurança:

– “Não tem mistério nenhum nisso que você acabou de fazer”.

O Padre muito surpreso com aquela afirmação, respondeu:

– “Como não tem mistério? Isso aqui é a Missa! Como você pode dizer que não tem mistério?”

– “Isso não é a Missa!”, redarguiu o Cacique.

– “E qual é a Missa,então?”.

– “É aquela que o Padre diz: Introibo ad altare Dei”.

Aquele velho Cacique havia servido nas Missas do antigo missionário francês que evangelizou aquela aldeia e,  já conhecia de cor o célebre introito... 
O padre pouco conhecia daquele rito, e resolveu informar-se. 

Ao retornar à sua casa, o padre foi falar sobre o ocorrido com seu Superior, que lhe disse de forma aspera:

– “Esses índios ignorantes não sabem de nada... Por que você está indo atrás deles? Eles não conhecem nada!”.

Mas, aquela conversa com o superior, não desfez a inquietação que o humilde cacique lhe causou. Foi à biblioteca e encontrou uma foto do seu Superior rezando a Missa de São Pio V, usando uma casula diferente, e na posição versus Deum. 

E assim foi nascendo um interesse maior por aquele rito... Tão belo, que sem  qualquer motivo considerável foi substituído. 

Toda esta inquietação o levou a uma crise espiritual. Ficou seis meses sem conseguir rezar a Missa segundo o Novo Rito; a confusão que ficou era tão grande que ele já nem sabia mais o que era a Missa.

O Padre voltou para sua terra, a Colômbia, onde encontrou o Pe. Rafael Navas *, que naquela época pertencia à FSSPX (Fraternidade Sacerdotal São Pio X), e este lhe explicou a emblemática questão dos ritos e todo o conturbado período inaugurado com o Concílio Vaticano II. 



Padre Navas com Padre Pinzón


Pe. Navas conseguiu que ele fosse para La Reja, na Argentina, no seminário São Pio X, onde  ficou 4 ou 5 anos. Lá ele aprendeu a rezar a Missa codificada por São Pio V e toda a riqueza da Igreja abandonada após o Concílio.

De volta a Colômbia, o sacerdote não foi aceito por bispo algum e se tornou padre vago. Sofreu a rejeição de seus irmãs no sacerdócio, não tinha onde dormir e se alimentar. 

Durante aproximadamente 8 anos, o padre ficou nessa situação: às vezes era acolhido na casa de algumas pessoas fiéis que queriam a Missa Tridentina, rezava na casa delas, e lhes prestava serviços espirituais.

Quando o IBP (Instituto Bom Pastor) foi fundado, o Pe. Navas, que já estava lá incardinado, chamou esse Padre para que ele também se juntasse a eles. Este Padre, convertido pelo cacique é o Pe. José Luiz Pinzón, atual Superior do Instituto do Bom Pstor em Bogotá na Colômbia.



* O Padre Rafael Navas é o atual superior geral do Instituto do Bom Pastor no Chile e de toda a América Latina.



História relatada pelo Sub-diácono Rafael Scolaro, do Instituto Bom Pastor, no dia 21 de Julho de 2010, em aula/palestra para o Grupo São Pio V de Curitiba.

Fonte: Mulher Católica 


terça-feira, 8 de setembro de 2015

Um Brado no Céu: A Devoção a São Miguel Arcanjo



Escultura de São Miguel inaugurada nos jardins Vaticano


Um dos primeiros feitos do pontificado do Papa Francisco foi a louvável consagração do Estado do Vaticano a São Miguel Arcanjo em 2013. Ato espiritualmente significativo; visto a devoção ao príncipe da milícia celeste muito ter se ofuscado nas últimas decadas. Na ocasião, foi inaugurada uma estátua de São Miguel nos jardins do Vaticano.

A devoção a São Miguel na história da Igreja

A devoção a São Miguel sempre ocupou um espaço especial no devocionário popular, desde os primeiros séculos do cristianismo.

Na Itália, encontra-se no Monte Gargano, o mais célebre dos santuários dedicado ao princípe da milícia celeste. 
Um santuário de pedra, escúlpido pela própria natureza na montanha, com intensa afluência de peregrinos o ano inteiro. 


Santuário Natural de Monte Gargano


Este local, foi palco de uma das mais célebres aparições da história, que se deu no século V, d. C, durante o pontificado de São Gelásio I.

Na região da Apuglia, um pastor de nome Gargano, testemunhou um acontecimento misterioso sobre o monte que leva seu mesmo nome (Gargano).

Gargano, apascetava uma manada de reses no monte, quando uma das vacas se refugiou em uma gruta de difícil acesso. Vendo a impossibilidade de recuperá-la, resolveu sacrificá-la com um tiro de arco. 

Mirou-lhe a flecha e atirou... Misteriosamente a flecha foi desviada no ar e voltou em Gargano, com a mesma força o ferindo na perna. 

O episódio foi presenciado por alguns que acompanhavam Gargano, e foi relatado ao bispo local, que ficou atônito com a história, e julgou tratar-se de um aviso do céu. Recomendou então três dias de jejum para pedir a Deus discernimento sobre o ocorrido. 

No terceiro dia do jejum prescrito, o bispo recebeu a visão de São Miguel Arcanjo que lhe pediu um santuário naquele local.

A devoção a S. Miguel se intensificou na Igreja a partir daquela manifestação, e grandes multidões acorreram ao Monte Gargano para se colocarem sob a proteção de São Miguel.
Entre os peregrinos, estavam figuras magnanimas da Igreja, como São Francisco de Assis, que segundo conta-se, se deteve a porta do santuário, sentindo-se indigno de entrar naquele lugar.
Il poverello, nutria uma devoção tão especial a São Miguel, que realizava uma quaresma em honra do grande Arcanjo. E foi em uma destas ocasiões, enquanto celebrava a quaresma a São Miguel, que um serafim lhe apareceu no Monte Alverne e lhe imprimiu na carne os sagrados estigmas.

A devoção a São Miguel Arcanjo e um século insidiado por satanás


O santuário de Monte Gargano, também foi local de peregrinação de numerosos pontífices, como Gelásio I, Agapito I, Leão IX, Urbano II, Inocêncio II, Celestino III, Urbano VI, Gregório IX, Pedro Celestino, Bento XV e João Paulo II, assinalando a proximidade do príncipe da mílicia celeste com o Papa.

A que se deve tão grande interesse dos pontífices por esta devoção e este local? Deve se ao fato de S. Miguel ser o auxiliador da Igreja Militante em seus confrontos constantes com as potências infernais.

O século XX, demarcou, com tal sutileza uma nova fase das ações de satanás no mundo. 

Satanás passou a agir por meio das ideologias... Embora os martírios ainda fossem frequentes, de modo que este século fora chamado de "século dos mártires", a grande arma de satanás foram as revoluções ideologicas.

Papa Leão XIII


O Pe. Domenico Pechenino, conta que certa ocasião, enquanto celebrava a Eucarístia, o Papa Leão XIII, teve uma visão aterradora que se referia aos tempos modernos. 

Viu, o grande pontífice, -- como confirma o cardeal Nasalli Rocca --, Satanás comparecer ante o trono de Deus e reinvidicar o século XX para perder toda a humanidade. 
Viu também, o Santo Padre, na mesma visão, o Vaticano ser assaltado por espíritos infernais. 

Aquela visão fez o Papa dirigir-se apressadamente ao seu escritório particular e retornar meia hora depois com uma oração copiada de próprio punho e entregá-la ao seu secretário pessoal, Mons. Rinaldo Angelo, para que a enviasse a todo o clero. 

Tratava-se da famosa oração à São Miguel Arcanjo que por ordem do sumo pontifice deveria ser recitada ao final de cada Missa.

Esta oração, por razões ainda não esclarecidas, perdeu seu lugar na liturgia.

A este episódio fatídico, sucederam-se tempos sombrios... 
No decorrer daquele século, -- e do atual -- se constatou em todos os cantos da terra, o avançar vertiginoso da ação infernal, inclusive através do culto público à satanás, como nunca se viu antes na história. 
A onda de crimes hediondos que tomou as cidades; a violência banalizada; as leis insanas que contemplavam a inversão da ordem natural... E o saldo estarrecedor de duas grandes guerras mundiais junto com o comunismo que fez em sua história mais de cem milhões de vitimas.

Mas a ação de satanás se intesificou especialmente dentro da própria Igreja, entre pessoas consagradas. 
No terrível processo de dessacralização que se seguiu após o Vaticano II e a desfiguração da imagem sacerdotal com escândalos hediondos e um mundanismo explícito que passou a caracterizá-los. 

Este século de estranhos acotecimentos culminou com a obscura declaração de Paulo VI no fim de seu pontificado: 

Por alguma brecha, a fumaça de satanás penetrou no templo de Deus.
(Alocução de 15 de novembro de 1972).

A este significativo testemunho de Paulo VI, junta-se a declaração de João Paulo II em Monte Gargano que nos põe de sobreaviso sobre esta batalha que se trava no silêncio das almas: 

Esta luta contra o demônio (...) é atual também hoje, porque o demônio está vivo e operante no mundo. Nesta luta, São Miguel auxilia a Igreja, (...) a desordem que se verifica na sociedade, a incoerência do homem, a ruptura interior da qual é vitima, não são apenas consequências do pecado original, mas também efeito da ação nefanda e obscura de satanás.
(Alocução 24 de maio de 1987 no Santuáro de Monte Gargano)

Tanto no pontificado de Paulo VI como no de João Paulo II, a devoção a São Miguel se eclipsou;  fora legada a um canto obscuro da Igreja. 
Os fiéis modernos quase nada sabem desta figura tão importante na caminhada da Igreja... Figura determinante na vitória contra os anjos rebeldes. 

O clero progressista na ânsia de ser aceito pelo mundo moderno, rejeita esta santa devoção que remete a um suposto obscurantismo que tanto abominam. A existencia do demonio é abertamente negada em não poucos seminários.

Se o arcanjo foi invocado tantas vezes na história, muito mais o deve ser invocado nestas horas críticas que passa a Igreja, onde o principe das trevas penetrou com seus ares maléficos em seu seio. 

Se a fumaça de satanás penetrou no templo de Deus, nada mais propício do que invocar o príncipe da milicia celeste, vencedor de satanás, para dissipá-la...

Quis ut Deus?  (Quem como Deus?) Eis o brado vencedor que dissipou a sanha infernal naquela primeira rebelião, e que tristemente encontra-se emudecido. 
Nunca esqueçamos este grito! Porque ninguém é como Deus! 

                                        *
                                     *    *

Sancte Michael Archangele, defende nos in prœlio!



segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Contradições Juvenis


Sid Vicious, membro do conjunto britânico Sex Pistols
 e símbolo de rebeldia juvenil


A tão decantada e incensada rebeldia juvenil sempre foi uma das mais absurdas mentiras que as esquerdas celebraram. 
Segundo Paulo Freire, o totem da fálida educação brasileira, "A rebeldia faz parte do processo de autonomia, quer dizer, não é possível ser sem rebeldia". E sob o signo freireano, quantos revolucionários não foram formados sem o saber?
Quantos brasileiros, que mal saíram dos cueiros,  se lançam com toda fúria contra um "sistema opressor" que não fazem a mínima idéia do que exatamente seja tal sistema! Não nos surpreenderíamos se lhes questionarmos a respeito de tal sistema, e obtivéssemos resposta do tipo: "Não sei que sistema é esse, só sei que metade dos jovens estão contra ele...". E é isso de fato que acontece. 
Constatamos um fato evidente a todos, menos ao rebelde em questão: Esta rebeldia é irracional e induzida e, começa nas salas de aula. 

O rebelde é na verdade um individuo cheio de fragilidades que sucumbe sob o mais pueril dos temores humanos: o medo da rejeição. E por conta deste temor se lança numa série de atos absurdos e inconsequentes... Que vai da submissão religiosa aos mais humilhantes rituais de admissão a um grupo, aos duros golpes que desfere irracionalmente contra pais e mestres. 
A rebeldia juvenil, portanto, tem sua "exceção". Ela só existe contra os pais, professores e pessoas que exercem autoridade amorosa sobre o jovem...  Esta mesma rebeldia não existe contra o grupo de amigos que o humilham e o desafiam.  Perto deles, "O rebelde",  é um ser passivo e sereno.

O tão afamado instinto transgressor juvenil não resiste a realidade! Ele arrefece quando o dinheiro acaba, quando a roupa precisa ser lavada, quando se precisa de um abrigo e uma cama confortável para recostar a cabeça após uma noite de bebedeiras e na agonia da enfermidade. Em suma: a rebeldia juvenil só existe contra os que a favorecem... Os pais que, fracos perante as incertezas dos filhos, não lhes impõe sua autoridade e um direcionamento seguro.







domingo, 6 de setembro de 2015

Um Tesouro Escondido: Nota sobre o Tratado da Verdadeira Devoção


"Em todos os tempos, Deus ofereceu os meios oportunos para a nossa salvação, e não foi por acaso que este insigne instrumento de santificação foi ocultado por tanto tempo; e também não foi por acaso que veio a lume exatamente em um dos séculos mais sombrios da humanidade. Tudo foi um inefável desígnio da Providência! Deus reservou esta grande obra para estes tempos. Estamos convictos disso!".

por Erick Ferreira


S. Luís Maria Grignion de Montfort,  Giacomo Parisini,  1948,
Basílica de São Pedro,  Roma


                            Há um dado místico que permeia as eloquentes páginas do "Tratado da Verdadeira Devoção" que dir-se-ia intraduzível em linguagem terrena. Sua leitura incute em nós um vivo ardor e uma inefável consciência dos áureos mistérios que envolveram o percurso redentor de Nosso Senhor e sua Santíssima Mãe.

Esta grande suma da devoção mariana, escrita no calor de uma alma abrasada no amor à Maria é leitura indispensável para aqueles que tencionam conservar no coração as chamas da pureza e do Divino Amor. Ignem veni mittere in terram (1)... Trazer fogo à terra, é a força que inspirou a escrita deste tratado. Aquele fogo que Cristo desejava ver arder nos corações... O fogo do amor divino.

Em cada página deste "precioso livrinho" -- como chamou João Paulo II --, perdura um ar profético e um delicioso aroma de piedade que nos envolve e antecipa um breve exalar do paraíso. 

Dado místico, que bem observou o ilustríssimo Pe. Frederik W. Faber em seu famoso prefácio, que com o tempo, tornou-se parte inseparável das edições do "Tratado".
"Acha-se neste livro -- escreve Pe. Faber --, se assim ouso dizer, o sentimento de um não sei quê de inspirado e sobrenatural que, vai sempre em aumento, à medida que nos aprofundamos em seu estudo. Além disso, não se pode deixar de experimentar, depois de lê-lo repetidas vezes, que nele a novidade parece nunca envelhecer; a plenitude nunca diminuir; o fresco perfume e o fogo sensível da unção nunca se dissipar ou enfraquecer". (2)
Eis um juízo muito acertado do que se pode encontrar ao longo destas páginas. 
Estes sentimentos expressos pelo Pe. Faber acometem a todos que entram em contato -- com o coração sincero, é claro --, com estas páginas impregnadas de fervor e sabedoria. 
Mas este "fresco perfume de piedade" e este "fogo sensível da unção" quase foram extintos no fundo de uma arca. 

O inferno tudo fez para que esta obra jamais viesse à luz, como o próprio autor vaticinava em suas páginas:
"Vejo, no futuro, animais frementes que se precipitam furiosos para dilacerar com seus dentes diabólicos este pequeno manuscrito e aquele de quem o Espírito Santo se serviu para escrevê-lo, ou ao menos para fazê-lo ficar envolto nas trevas e no silêncio de uma arca, a fim de que ele não apareça. Atacarão até, e perseguirão aqueles que o lerem e o puserem em prática" (3)
A profecia cumpriu-se à risca! Alguns anos após a morte do santo (em 1716), abateu-se sobre a França a terrível Revolução que perseguiu implacavelmente a Igreja. Nas constantes fugas que os filhos de S. Luís de Montfort tiveram que empreender, os manuscritos do "Tratado” acabaram se perdendo entre outros livros, e permaneceu, conforme profetizara S. Luís, no "silêncio de uma arca" por mais de um século. 
Mas, a Providência Divina jamais permitiria que esta grande obra se perdesse para sempre. Ela estava reservada para tempos mais turbulentos do que aqueles. A Divina Providência o reservava para os impiedosos tempos modernos.

Em 1842, em Saint Laurent-sur-Sèvre, onde encontra-se sepultado o corpo do santo autor, um padre da Companhia de Maria (os Montfortinos) encontrou providencialmente os preciosos manuscritos junto com outros livros comuns, no fundo de um caixote. O "Tratado" já estava deteriorado -- ou dilacerado como profetizou o santo --, em algumas partes e sem as primeiras e últimas páginas. Até o título original se perdeu, embora, supõe-se que o título original fosse "Preparação para o reino de Jesus Cristo", conforme indicam alguns trechos da obra (4).
O padre que o descobriu o entregou ao então superior geral dos montfortinos da época, Pe. Dalin, que reconheceu a pena do santo fundador, e tomado de júbilo o apresentou a toda família montfortina com estas palavras:
"Encontramos um tesouro!" 
Foram as palavras que traduziam o sentimento que envolvia a todos por tão insigne descoberta e tão precioso monumento da devoção mariana legado à Igreja por seu fundador. 
Ao ser publicado em 1843, o "Tratado" teve sucesso imediato. E nos anos seguintes, o livrinho ganhava numerosas edições e traduções.
Atualmente, o "Tratado" encontra-se traduzido em mais de 30 idiomas, e possui a surpreendente marca de mais de 400 edições. 
Algo impressionante que nos faz ver que toda a perseguição e contrariedades que ameaçavam conservar este livro no silêncio foram proporcionais a grandeza da obra e do autor.

***


O que veio fazer este livro? Já o havia dito acima: "Ignem veni mittere in terra...". Trazer fogo à terra; incendiar os corações naquele fogo que ardeu, mais que nas potências angélicas, no coração de Maria. 
Este ardor incandescente que emana destas páginas revelam o tremendo arroubo de amor em que se envolveu o santo ao escrevê-lo. S. Luís estava tão envolvido nas verdades divinas que pensou em usar o mais precioso e simbólico dos elementos para escrevê-lo: o seu próprio sangue. 
"Se eu soubesse que meu sangue pecaminoso poderia servir para fazer entrar no coração as verdades que escrevo em honra de minha querida Mãe e soberana Senhora, da qual sou o último dos filhos e escravos, em lugar de tinta eu o usaria para formar estes caráteres". (5)
Luís de Montfort não escreveu com sangue estas verdades, mas com fogo! Fogo de uma alma abrasada no mais puro amor e devoção, e o mais candente fervor, tal qual não se virá igual desde os tempos apostólicos.
Mas, convém dizer que esta obra só pode ser apreciada dignamente por quem tem amor à verdade, fé e devoção; virtudes tão raras atualmente nos corações, especialmente, nesses tempos céticos e relativistas. 
Assim como dizia o santo autor da imitação que muitos acham pouco enlevo nos Evangelhos por não terem o espírito de Cristo, assim também, não acharão nenhum enlevo nesta obra os que não tiverem o espírito de Maria, que é o mesmo espírito de Jesus.
"...bem empregado seria o meu esforço, se este escrito, caindo nas mãos duma alma bem nascida de Deus e de Maria, não do sangue, ou da vontade da carne, nem da vontade do homem (cfr. Jo 1, 13) lhes desvendasse e inspirasse, pela graça do Espírito Santo, a excelência da verdadeira e sólida devoção à Santíssima Virgem...". (6)

A Indispensável Devoção à Nossa Senhora


Para a tibieza que acomete nosso século, S. Luís nos indica o eficaz remédio da devoção à Maria. 

Em muitos lugares esta obra ainda sofre um diabólico ostracismo e Maria é ignorada ou legada a um canto obscuro. O culto que lhe prestam é escrupuloso e meramente exterior. 
Maria ainda é tratada como inimiga por muitos cristãos, inclusive católicos. Seu culto é visto como antagônico ao culto de Cristo.
Quanta necessidade tem os homens com tais pensamentos de conhecer a verdadeira devoção à Virgem Santíssima que nos é apresentada por S. Luís! Quanta necessidade tem de entrar em contato com estas páginas místicas.
Por isso adverte o santo:
"... Maria Santíssima tem sido, até aqui, desconhecida, e esta é uma das razões porque Jesus Cristo não é conhecido como dever ser". (7)

As falsas devoções, identificadas por S. Luís e enumeradas em sete classes, ainda imperam no culto que se presta a Virgem em muitas de nossas Igrejas. 
Não compreendem que esta devoção como todas as outras tem como fim unicamente a Cristo, e que este fim, na devoção mariana, é mais certo que nas demais devoções.

Enumero abaixo algumas espécies de maus devotos identificados por S. Luís em seu Tratado.

Os escrupulosos

Entre estas falsas devoções identificadas por São Luís, a mais comum, certamente é a "devoção" escrupulosa. Que vê no culto à Maria um desvio do culto que se deve presta unicamente a Cristo. 

São Luís viveu no tempo do Jansenismo, aquela terrível doutrina chamada por Pio XI de “a mais astuta de todas as heresias” (8) tão hostil à devoção mariana que lançou sobre ela um mar de escrúpulos; afastando muitas almas do bom caminho. Esta heresia foi um grande desafio para o apostolado de São Luís, visto influenciar maleficamente grande parte do episcopado da época, impondo assim uma barreira de ódio à pregação do santo.

Por influência desta heresia, o povo na França, conservava grande receio nas práticas de piedade, especialmente nas dirigidas à Maria. 
Mas afinal, pode a devoção a Maria desviar o caminho a Jesus, se ela, foi o caminho que Ele se serviu para vir a nós? 
Como pode obscurecer seu brilho, se toda a gloria que Ela irradia é reflexo d'Ele?
Por isso S. Luís a compara à Lua (cf. n. 85), que não tendo luz própria, emite como nenhum outro astro a luz do sol. A luz do sol nos ofusca, mas a luz da lua -- que é a luz do sol temperada --, nos ilumina sem ferir-nos a visão. Os bem-aventurados no céu gozam de felicidade plena e ao mesmo tempo... Certo temor quando diante da grandeza incomparável e infinita de Deus, veem sua aterradora pequenez. Porém, ao contemplarem Maria, que irradia os raios da Divina Majestade como nenhuma outra criatura, os bem aventurados conseguem contemplar melhor a Deus, pois Maria é o mais puro reflexo de Deus. 
No mais, a devoção à Maria é necessária para o conhecimento e amor mais profundo de Jesus Cristo. Pois na terra não houve quem O conheceu melhor que Ela, e não há quem se afaste de Maria, sem ao mesmo tempo se afastar de seu filho Jesus!

No desprezo à Maria, notaram os santos um claro sinal de condenação

"A devoção à Santíssima Virgem, escreve S. Luís, é necessária à salvação; e sua falta, um sinal infalível de condenação".
O mesmo observa Sto Afonso de Ligório quando diz:
"O demônio não se contenta em ver uma alma separada de Jesus. Quer vê-la também separada de Maria". 
Em outra parte escreve o mesmo santo: 
"O demônio trabalha para que os pecadores, depois de perderem a graça de Deus, percam também a devoção à Maria" . (9)

Quantos exemplos não conheces de pessoas que ao abandonarem as práticas de devoção mariana, logo em seguida, abandonaram também toda prática cristã?
A devoção à Maria, logo, não é um mero dado opcional da fé, é uma necessidade premente, visto Ela ser parte intrínseca da missão redentora de Cristo.
Se Jesus foi submisso em tudo a Maria (cf. Luc 2, 51), quem pensa ser tu, ó cristão ao pensar que Ela é dispensável à vida cristã?

Além do mais, a devoção mariana é cristocêntrica. 
"Embora em sua fisionomia seja mariana, no seu âmago é oração cristológica". (10)
A própria oração da Ave-Maria culmina com o Iesus. E o rosário inicia-se com o Pater noster, e conclui-se com o Promissionibus Christi.
Poucas orações protestantes têm começo e fim mais cristológicos que estes!

Como é esta devoção? 

Antes de tudo, interior, pois, o reino da Santíssima Virgem está principalmente no interior do homem, isto é, em sua alma (cf. n. 38).
É também uma entrega. Não uma mera entrega por palavras, mas uma entrega total de vontade e de coração à Maria -- assim como o verbo divino lançou-se livremente no seio imaculado de Maria na sua obra redentora. Desta forma, entregamos tudo o que somos e temos à Maria para que Ela faça o que bem lhe aprouver.

Outro fato marcante da verdadeira devoção é a mudança de vida que assinala a vida dos verdadeiros devotos. Sem mudança de vida, toda prática devocional é falsa, conforme observou S. Pio X:
"Se a devoção à Virgem Santíssima não o afasta do pecado ou o leva a emendar de vida, é uma devoção falsa e enganosa". (11)
Ou nas palavras resumidas de S. Leonardo de Porto Maurício:
"Quem é seu devoto é inimigo do pecado".

A eficácia deste caminho 

Esta grande suma da teologia mariana foi o livro de cabeceira de grandes luminares da Igreja como S. Pio de Pietrelcina, S. Pio X, S. João Bosco, Sta. Teresinha do Menino Jesus, Sta Gemma Galgani, entre outros.

Mas particularmente, o "Tratado" marcou profundamente a vida de umas das figuras mais influentes dos tempos modernos, o Bem-Aventurado Papa João Paulo II, que chegou a lavrar em seu brasão pontifício as famosas palavras do Tratado: "Totus Tuus" (Todo Teu). 

A história deste "livrinho" na vida de João Paulo II é muito anterior ao seu pontificado como ele próprio confessa:
"Eu próprio, nos anos de minha juventude, tirei grandes benefícios da leitura deste livro, no qual encontrei as respostas às minhas perplexidades". (12)
E em outra parte escreve:
"Li e reli muitas vezes e, com grande proveito, este precioso livrinho ascético azul".

Até o fim da vida, o Papa, conservou consigo aquele "precioso livrinho" surrado e manchado de soda e cal que o acompanhou durante a juventude nos ambientes mais insólitos como as pedreiras de Zakronew e a Fábrica de Solvay. Onde a leitura compenetrada contrastava com as horas duras de trabalho.
"A doutrina deste santo exerceu uma profunda influência sobre a devoção mariana de muitos fiéis e sobre a minha própria vida".
O Santo Padre não hesitou, inclusive, em usar a cadeia de Nossa Senhora, conforme recomenda o "Tratado". E a usou fielmente até seu último dia nesta terra de exílio.

Em que consiste esta devoção? 

Em uma entrega total a Jesus pelas mãos de Maria. Assim como Jesus se entregou totalmente aos homens através de Maria. Ad Iesum per Maria. São as palavras que resumem a consagração à Maria segundo os métodos de S. Luís.
Maria tornou-se assim, caminho seguro a Jesus, Janua Cæli, como canta a Igreja.
"Foi por meio de Maria que Jesus veio ao mundo, e é também por meio dela que Ele deve reinar no mundo", como principia o Tratado.

Entendamos que Deus sendo infinitamente superior, não necessita de qualquer criatura para fazer qualquer coisa, basta querer para tudo fazer, no entanto, no plano da salvação, quis precisar de Maria.
Se Deus na sua ação redentora começou suas obras através de Maria, consequentemente há de terminá-las através d'Ela. 
Mas o herege com a inteligência obscurecida, objeta soberbamente: "Não preciso de Maria para a minha salvação!". Mas Deus onipotente quis precisar dela para salvar a humanidade, logo, não depende da vontade humana, mas da vontade divina que assim determinou. 

Os hereges ainda dizem: "Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida", em objeção à esta devoção. Mas quem o nega? No entanto, Jesus, sendo caminho, verdade e vida, percorreu um caminho antes de vir aos homens, o ventre imaculado de Maria, e permaneceu à sua sombra por pelo menos 30 anos. 
Por que serviu-se de Maria? Deus Onipotente poderia vir aos homens sem servir-se de nenhuma criatura, como havíamos afirmado acima, mas por um desígnio misterioso de sua sabedoria, "quis precisar de Maria..."
Logo, Maria na vida cristã não é uma mera figurante, é a Mãe do Redentor e a mãe da Igreja, Auxilium Christianorum... Estrela da manhã que conduz o navegante ao porto seguro da salvação. Foi Deus que a escolheu para este posto!

O Tratado nos tempos Modernos

Em todos os tempos, Deus ofereceu os meios oportunos para a nossa salvação, e não foi por acaso que este insigne instrumento de santificação foi ocultado por tanto tempo; e também não por acaso que veio a lume exatamente em um dos séculos mais sombrios da história. Tudo foi um inefável desígnio da Providência! Deus reservou esta grande obra para estes tempos. Estamos convictos disso!
A nota profética que caracteriza estas páginas místicas nos alertam de "tempos perigosos que virão", e de fato, assistimos no século passado e assistimos neste as maiores perseguições à Igreja, tal qual não se tinha notícia desde os tempos do Império Romano. Revoluções anticlericais pululam no mundo, deixando um terrível rastro de ódio a Deus e a sua Igreja; a imoralidade grassa por todos os lados; a apostasia assola a Igreja. Mas, ao mesmo tempo, estas páginas nos consolam com o anúncio dos "apóstolos dos últimos tempos", que hão de vir suscitados por Maria. "Ministros do Senhor qual fogo crepitante que levarão a toda parte as chamas do Divino Amor". 
Quando se dará tais eventos não nos cabe indagar... "Cumpre calar, orar, suspirar e esperar", como indica S. Luís.

E esperamos ansiosos, como bem expressou o padre Faber, o despontar dessa gloriosa era da Igreja, que o tratado vem nos antecipar em suas mística páginas.
De Maria nunquam saties, dizia S. Bernardo, e do "Tratado" dizemos, nunca foi suficientemente compreendido, assim como nunca será suficientemente lido e anunciado.


Notas:

1. cf. Lucas 12, 49
2. cf. Prefácio da edição brasileira, editora vozes ltda.
3. cf. Tratado da Verdadeira Devoção. n. 114
4. Ibidem n. 227. "...Conforme já disse na primeira parte desta preparação ao reino de Jesus Cristo". “...Comme jái dit dans la première partie de cette préparation au Règne de Jésus-Christ”.
5. Ibidem. n. 11.
6. Ibidem n. 112
7. Ibidem. n. 13
8. cf. Miserentissimus Deus, n. 2
9. cf. Glorias de Maria, cap VIII, 2
10. cf. João Paulo II. Rosarium Virginis Mariæ, Intr.
11. cf. Ad Diem Illum Laetissimum, n. 17: 1904
12. cf. Carta às famílias monfortinas, 2004, apud Dom e Mistério, p. 38

A Oração de um Ateu: A Coragem de Crêr





Sem qualquer razão especial, resolvi postar este texto, que há tempos estava no meu arquivo... E que deveria ser mais conhecido de todos.
Trata-se de uma simples e profunda oração de um ateu,  até então, -- um ilustre ateu --, o escritor Miguel de Unamuno (1863-1963), um dos maiores da literatura espanhola... 
Em um momento decisivo de sua existência em que sua descrença já não fazia sentido e a canseira que o ateísmo lhe causara tornava-se insuportável. 
Unamuno corajosamente, ousou exceder os limites de sua descrença e aproximar-se deste ignoto deo,
E de joelhos... Toda descrença se desfêz...



                                     *

                                 *      *



Ouve meus rogos Tu, Deus que não existes,
e em Teu nada recolhe estas minhas queixas; Tu, que aos pobres homens nunca deixas sem consolo de engano. 

Não resistes ao nosso rogo, e nosso anelo viste, quando mais Te afastas de minha mente; mas recordo os doces conselhos somente com que minh’alma acalentou noites tão tristes.

Quão grande és, meu Deus! Tu és tão grande, que não és senão Idéia; é muito estreita a realidade por muito que se expande para abarcar-te. 
Sofro eu por tua causa, Deus não existente, pois se tu fosses realidade,
eu também existiria de verdade.



 

terça-feira, 9 de junho de 2015

Um Florilégio à Maria






Ó Virgem, pela tua bênção é abençoada a criação inteira! O céu e as estrelas, a terra e os rios, o dia e a noite, e tudo quanto obedece ou serve aos homens, congratulam-se.
Ó Senhora, porque a beleza perdida foi por ti, de certo modo, restaurada e dotada de uma graça nova e inefavel. Todas as coisas pareciam mortas, ao perderem sua dignidade original que é de estar em poder e a serviço dos que louvam a Deus. Perante esta nova e inestimável graça, todas as coisas exultam de alegria ao sentirem que Deus, seu Criador, não apenas as governa invisivelmente lá do alto, como também está visivelmente nelas, santificando-as com o uso que delas faz. Tão grandes bens procedem do bendito fruto do sagrado seio da Virgem Maria!
Pela plenitude de tua graça, aqueles que estavam na mansão dos mortos alegram-se agora libertos; e os que estavam acima do céu, rejubilam-se renovados. Com efeito, pelo Filho glorioso de tua gloriosa virgindade, todos os justos que morreram antes da sua morte vivificante, exultam pelo fim de seu cativeiro, e os anjos se congratulam pela restauração de sua cidade quase em ruínas.
Ó mulher cheia e mais que cheia de graça, o transbordamento de tua plenitude faz renascer toda criatura, ó Virgem bendita e mais que bendita, pela tua bênção é abênçoada toda a natureza, não só as coisas criadas pelo Criador, mas também o Criador pela criatura. Deus deu à Maria o seu próprio Filho, único gerado de seu coração, igual a si, a que amava como a si mesmo, no seio de Maria formou seu Filho, não outro qualquer mais o mesmo, para que por natureza, fosse realmente um só e o mesmo filho de Deus e de Maria. Toda criação é obra de Deus e Deus nasceu de Maria. 
Deus criou todas as coisas e Maria deu à luz a Deus! Deus que tudo fez, formou-se a si próprio no seio de Maria, e deste modo, refêz tudo o que tinha feito. Ele que pode fazer tudo do nada, não quis refazer sem Maria o que fora profanado. Por conseguinte, Deus é o Pai das coisas criadas e Maria a mãe das coisas recriadas. Deus é o Pai da criação universal, pois gerou Aquele por quem tudo foi feito, e Maria a mãe da redenção universal, pois gerou aquele por quem tudo foi salvo. Deus gerou Aquele sem o qual nada absolutamente existe, e Maria deu à luz Aquele sem o qual nada absolutamente é bom. Verdadeiramente o Senhor é contigo, pois quis que toda natureza reconheça que deve a Ti juntamente com Ele, tão grande benefício.


(Sto Anselmo de Cantuária [ou Canterbury], in Meditações, séc. XII)

ATO DE DESAGRAVO PARA OS DIAS DE CARNAVAL

  ATO DE DESAGRAVO PARA OS DIAS DE CARNAVAL (Se possível, diante do Ssmo. Sacramento exposto)     C oração dulcíss...